O primeiro-ministro entretanto demonstra ter uma memória muito selectiva: não se lembrava que tinha tido reuniões com os promotores imobiliários e com a Câmara; não se lembra do seu tio, alguma vez, ter falado com ele sobre este assunto ou que lhe tenha pedido para receber o promotor. Porventura nem lhe teria ocorrido ser ele o ex-ministro de Guterres, justificando assim um silêncio de cerca de 15 dias, após as primeiras notícias terem surgido.
Sócrates faz-nos passar a todos por tontos: alguém porventura, no seu perfeito juízo, acreditará que Sócrates não se lembre se o seu tio falou com ele sobre este assunto? Ou se teve uma reunião com o promotor por interferência do seu tio, conforme este afirma? Não se lembra? Quando o seu tio e o seu primo, estão enterrados até às orelhas? O seu primo, tem a lata de afirmar que enviou um e-mail ao promotor imobiliário, a pedir uma recompensa pelo favor? Sócrates não pode dizer que não se lembra!
Mas este caso vem trazer à tona outros, já recorrentes, especialmente quando os atingidos são, ou políticos ou os homens fortes do regime: que a melhor defesa é a vitimização e umas palavras-chave: cabala, calúnias, defesa da honra; que os agentes da justiça e da investigação vacilam no crime de colarinho branco; que os ministros quando estão de saída de funções alambazam-se a despachar processos polémicos; que estes crimes estão sempre ligados a offshores.
A quantas mãos foram parar os 4 milhões de euros da recompensa do favor da aprovação do projecto freeport?
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