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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Os Evangelistas de Crespo

"O governo Sócrates tem tido o mérito de nos surpreender pela frontalidade. Se erra diz que errou e volta atrás. Isto é raro nos que nos governaram sem erros e sem dúvidas".

Mário Crespo - Jornal de Notícias, Janeiro de 2008.
O que acima está escrito foi publicado por mim, citando Mário Crespo, num blogue entretanto findo, o Sentido Único, em 15 de Janeiro de 2008. Tentado pelo humor, dei a minha sentença: internem o Mário Crespo urgentemente. E terminei assim o post. Perante tão clara afirmação de Mário Crespo, quando Sócrates se apresentava no cume da sua arrogância,a  rasgar promessas e compromissos, a castigar os mais desprotegidos, autoritário na comunicação, altivo no diálogo, manhoso nas relações institucionais, o que poderia dizer eu, também alvo das malfeitorias políticas de Sócrates, de Mário Crespo que não fosse o que disse? O Homem (Mário Crespo) está "doido"! O Mário Crespo pica-se! Emprestando, há frase, como parece perceptível, uma dose (falhada? -não tenho muito jeito) de humor.

O que desconhecia e só agora por mero acaso cheguei lá, é que existia um "Clube de fãs de Mário Crespo", num blog O Desassombrado que a propósito do meu comentário, tenha elaborado um post com o sugestivo título de "Vai mas é trabalhar", com direito a fotografia e tudo.

Eu só queria dizer ao(s) autor(es) que sou muito "fresquinho" apesar do meu "aspecto". Que fui reformado prematuramente por não ter "escolha". Que efectuei 36 anos de desconto, desde os 14 aos 50 anos de idade. E que comecei a trabalhar ainda muito antes, com 8/9 anos, ainda na escola primária, sem parar. Mais tarde, a partir dos 13 anos, trabalhando e estudando à noite. E que agora, faço o que bem quero e disso não tenho de lhes dar satisfações. Ah! E continuo a pagar os meus impostos, todos. E mais; quem paga o meu salário é o fundo de pensões de uma empresa a PT. Pode(m) portanto ficar descansado(s) que de si (Vós) (nem de ninguém) não recebo nada que não seja meu; o resultado de 36 anos de descontos.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Uma pausa


cansaço, saturação, desencanto? ... uma vontade de parar por uns tempos. As minhas desculpas a quem continua por aqui a passar. Deixo-vos neste lapso de tempo com José Mário Branco - Margem de Certa Maneira.
Dentro da margem de dentro
Na raís e no lamento
Guarda-vento e ribanceira
Margem de certa maneira
De fazer uma viagem
De ultrapassar a barreira
Fazer do vento poeira
Da ribanceira barragem

Fora da margem de dentro
Entre o caule e o rebento
Há sempre um pequeno espaço
Entre movimento e passo
Entre passo e movimento
A corda que faz o laço
A força que faz o braço
Acordar o pensamento
(...)


A coisa vai amigos!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Biquínis

Há 60 anos deu-se uma grande revolução: o biquíni substituiu o fato de banho até aos joelhos. Todas as revoluções são bem-vindas!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Do que um homem é capaz

1
Do que um homem é capaz
As coisas que ele faz
Para chegar onde quer
É capaz de dar a vida
Pra levar de vencida
Uma razão de viver
2
A vida é como uma estrada
Que vai sendo traçada
Sem nunca arrepiar caminho
E quem pensa estar parado
Vai no sentido errado
a caminhar sozinho
3
Vejo gente cuja vida
Vai sendo consumida
Por miragens de poder
agarrados a alguns ossos
No meio dos destroços
Do que nunca onde fazer
4
Vão poluindo o percurso
Co’ as sobras do discurso
Que lhes serviu pr’ abrir caminho
À custa das nossas utopias
Usurpam regalias
P’ra consumir sozinho
5
Com políticas concretas
Impõem essas metas
Que nos entram casa dentro
Como a Trilateral
Co’ a treta liberal
E as virtudes do centro
6
No lugar da consciência
A lei da concorrência
Pisando tudo pl’o caminho
P’ra castrar a juventude
Mascaram de virtude
O querer vencer sozinho
7
Ficam cínicos, brutais
Descendo cada vez mais
P’ra subir cada vez menos
Quanto mais o mal se expande
Mais acham que ser grande
É lixar os mais pequenos
8
Quem escolhe ser assim
Quando chegar ao fim
Vai ver que errou seu caminho
Quando a vida é hipotecada
No fim não sobra nada
E acaba-se sozinho
9
Mesmo sendo os poderosos
Tão fracos e gulosos
Que precisam do poder
Mesmo havendo tanta gente
P’ra quem tudo é indiferente
Passar a vida a morrer
10
Há princípios e valores
Há sonhos e amores
Que sempre irão abrir caminho
E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que vai ao lado
Não vai viver sozinho

"E quem viver abraçado à vida que há ao lado não vai morrer sozinho".
Dedico esta extraordinária canção a todas e todos quantos, para além dos discursos e das bonitas palavras, fazem realmente e genuinamente alguma coisa pelos que mais sofrem.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Um teste à credibilidade do Bloco

A crer nos jornais, hoje à noite, o plenário de aderentes da concelhia de Lisboa do Bloco, vai retirar a confiança a Sá Fernandes, decisão que também teria sido já ratificada pela comissão política. A ser verdade, estamos perante um simulacro de democracia interna e de participação democrática dos militantes, na discussão e tomada de decisões colectivas, tão caras ao Bloco, nos discursos e nos documentos programáticos. Mas nada que me admire. Neste segundo mandato, depois do acordo de Lisboa assinado entre o Bloco e o PS, Sá Fernandes nunca teve a vida fácil dentro do Bloco. Sendo que as suas preocupações são e foram as de sempre: o melhor para a cidade. Sendo o que sempre foi. E com o acordo de Lisboa tudo fazer para honrar os seus pressupostos: ser o mais possível solidário na governação e envidar todos os esforços para cumprir os pontos inscritos no acordo. E sobre isso nada a dizer. Esses foram os seus compromissos com o Bloco e com os seus eleitores e tem cumprido. Tudo o resto são diferenças de opinião que deveriam ser naturais, entre o independente Sá Fernandes e um partido que o escolheu, pelo seu carácter, verticalidade e apego aos interesses de Lisboa e dos lisboetas. E que deveriam ser respeitadas de parte a parte.

O Bloco, não o soube compreender infelizmente e alguns dos seus dirigentes, através de mensagens subliminares na imprensa, foram dando a entender que se teria rendido aos encantos do poder, assim como não o protegeram dos ataques soezes de onde se esperava.

O Bloco tem o direito de não se rever em algumas posições de Sá Fernandes e nessa medida entender não o recandidatar a um próximo mandato. Mas se a decisão de logo à noite for as que os jornais pré-anunciam; a retirada de confiança, é uma ferida aberta e profunda na relação com muitos dos seus simpatizantes e militantes. E revela que o Bloco ainda está muito preso a condutas grupistas, sectárias e de pretensa superioridade moral.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Um novo partido à esquerda? Sim, talvez.

Haverá um espaço à esquerda para a criação de um novo partido, pergunta o DN de hoje. A minha resposta é sim, talvez. Com um PS virado à direita, um PCP conservador, um Bloco aparentemente contente na oposição, o aparecimento de um novo partido de esquerda, com origem no Manuel Alegre, poderia alavancar uma alternativa de esquerda a sério e obrigar a clarificações nesta área política.

Esse partido, conhecendo as posições de Manuel Alegre, não seria o meu partido, nem teria sequer o meu apoio, concorrendo às eleições e não tendo possibilidades de ganhar. Para ser oposição, prefiro o Bloco. Mas a existência desse partido, em si, obrigaria o Bloco a encontrar-se e a confrontar-se com os seus propósitos fundadores, para não perder os eleitores de esquerda mais moderados e o PCP a mudar se não quiser ficar ainda mais acantonado. Logo, a esquerda toda, só tinha uma saída: entender-se. E uma esquerda assim, sim, poderia vir a ser uma alternativa a sério. Uma alternativa credível. Uma alternativa para governar. À esquerda. Para haver mais justiça social e uma sociedade mais digna.

Nota: tive agora conhecimento das declarações de Manuela Ferreira Leite, pedindo a suspensão da democracia por 6 meses. Sinceramente isto nem merece comentários: estamos entregue aos bichos. A esquerda tem de fazer mais para que a alternativa dos portugueses a Sócrates não tenha que ser esta senhora.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Há sempre qualquer coisa por fazer

A falta de vontade, um tempo que passa depressa demais, mais uns juntados afazeres, não me tem permitido, apesar de haver muito para comentar, gatafunhar umas coisas, expressar algumas opiniões, mesmo que apenas confinadas, à não mais que uma dúzia de leitores; os parceiros nestas lides, os amigos e as amigas do costume, mais uns quantos visitantes de ocasião. A par disso a nítida sensação de que tudo o que tenha a dizer, tudo somado, não deixam de ser reproduções do que já dissera antes, com maior ou menor intensidade, com maior ou menor veemência, em situações iguais, parecidas ou mesmo diferentes. Para além disso fica ainda a ideia de que, ao fim e ao cabo, andamos todos um pouco a pregar aos peixinhos, o que naturalmente acaba por criar desânimo e mesmo um desacreditar nas possibilidades de mudar o que é preciso, especialmente quando vemos a tempo a passar e nada muda ou se muda é para pior. Mas o que tem de ser tem muita força. E eu ainda estou cá para as curvas. Ainda sinto que tenho algumas coisas para dizer. E sobretudo muito por e para fazer.
 

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