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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Cantigas do Fogo e da Guerra

Descobri este vídeo legendado em português pelo Passa a Palavra. É um depoimento comovedor e ao mesmo tempo inquietante, do soldado Mike Prysner sobre a guerra no Iraque e sobre a tomada de consciência da natureza da(s) guerra(s). Vale a pena acompanhar os 10 minutos que dura o vídeo e sentir o arrepio que nos provoca. Mas sobretudo vale a pena divulgar o vídeo: para agitar consciências e perceber a razão profunda das guerras.




VID091228_Mike_Prysner from Passa Palavra on Vimeo.
 
 Cantigas do Fogo e da Guerra


Há um fogo enorme no jardim da guerra
E os homens semeiam agulhas na terra
Os homens passeiam co’os pés no carvão
que os deuses acendem luzindo um tição

P’ra apagar o fogo vêm embaixadores
trazendo no peito água e extintores
Extinguem as vidas dos que caem na rede
e dão água aos mortos que já não têm sede

Ao circo da guerra chegam piromagos
abrem grande a boca quando são bem pagos
Soltam labaredas pela boca cariada
fogo que não arde nem queima nem nada
Senhores importantes fazem piqueniques
churrascam o frango no ardor dos despiques
Engolem sangria dos sangues fanados
e enxugam os beiços na pele dos queimados

É guerra de trapos, do pulmão que cessa
do óleo cansado que arde depressa
Os homens maciços cavam-se por dentro
e o fogo penetra, vai direito ao centro.

José Mário Branco - Mudam-se os Tempos Mudam-se as Vontades
(Cantiga do Fogo e da Guerra)

domingo, 28 de dezembro de 2008

A hora de resolver de vez

Nada pode justificar os ataques de Israel que cobrem de sangue o povo palestiniano: nem o desrespeitar do cessar-fogo do Hamas; o lançamento de rockets, três dias apenas depois do cessar-fogo ou recentemente, depois de ter recusado um novo cessar-fogo, ter atacado o sul de Israel com o lançamento de cerca de 80 “rockets”, 40 dos quais durante o dia de hoje. Nestes dois últimos dias as bombas israelitas já mataram cerca de 300 pessoas. É uma resposta desproporcionada. Não se matam moscas com uma granada. Não se responde a provocações (embora estas também nada inocentes) despejando bombas a eito com a intenção clara de assassinar pessoas, não cuidando de saber se por baixo estão inocentes... e mesmo que fossem apenas provocadores e terroristas fundamentalistas.

Este conflito não se resolve com bombas, com rockets, com muros, com atentados terroristas, mas sim com a diplomacia. Israel, um estado que pratica o terrorismo, não se pode escudar em acções de grupos mais radicais e terroristas, para exterminar populações e ocupar um país soberano. A ONU, os Estados Unidos de Obama, a Europa tem de encerrar definitivamente esta questão nos próximos tempos: com um Estado Israelita e um Estado Palestiniano. Não há outro modo. Pesem todas as circunstância históricas, não há outra saída.

Nestas ocasiões lembro-me sempre do escritor israelita Amos Oz, que consegue quase o impossível, uma neutralidade absoluta sendo de esquerda e israelita, a quem bem podiam pedir uma intermediação no conflito, ou no mínimo, olharem a sério para as suas sugestões, expressas no fabuloso livro, Contra o Fanatismo.
 

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