A Romaria d’Agonia está a chegar, e no comércio tradicional da cidade de
Viana do Castelo já se sente um pouco do ambiente da Romaria. Há alguns
estabeleci...
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quarta-feira, 7 de abril de 2010
Onde está o mérito?
quarta-feira, abril 07, 2010
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Fernando
Sendo a EDP a única empresa a operar no mercado, difícil era não ter grandes lucros. Chamar a isto boa gestão e por isso o seu presidente receber POR DIA, o que um trabalhador médio recebe por ano é pornográfico e indecente, porque conseguido, essencialmente, à custa dos preços altos do serviço prestado.A ninguém devia ser permitido ganhar mais de 5 mil euros/mês. Remuneração mais do que suficiente para se ter uma boa vida.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Ganhar milhões sem pagarem impostos: um privilégio que o Governo não quer resolver
sexta-feira, janeiro 29, 2010
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Fernando
O Governo podia, desde já, acabar com a isenção do pagamento de impostos sobre os ganhos nas bolsas, podia não podia? Podia! Está no programa eleitoral com o que o PS se apresentou às eleições legislativas. Mas não era a mesma coisa. Seria contrariar a sua própria natureza; a de incumpridor de promessas.
Quando a crise afecta de forma severa os trabalhadores e a maioria das famílias atravessa grandes dificuldades o Governo define muito bem as suas prioridades; proteger os ricos e poderosos. Fazer que sejam os do costume, os mais necessitados, a pagar a crise de que não são responsáveis.
No ano de 2009, 10 (dez) dos maiores "trutas" deste país, ganharam em transacções bolsistas - que não acrescentam riqueza ao país - cinco mil milhões de euros, repito, CINCO MIL MILHÕES de euros. Por este rendimento NÃO PAGARAM UM CÊNTIMO DE IMPOSTOS. Se fosse um rendimento de trabalho pagariam 42 por cento de IRS.
No Facebook (registar-se como amigo para aceder) em resposta a uma pergunta minha, Louçã respondeu-me assim: "Exactamente, Fernando. Se estes senhores tivessem comprado as acções no dia 1 de janeiro de 2009 e vendido exactamente no dia 2 de janeiro de 2010, segundo a lei actual pagariam zero cêntimos, mas se o imposto fosse um mínimo de 20% pagariam o suficiente para 3 anos do aumento do acesso ao subsídio de desemprego para milhares de pessoas necessitadas - e ainda lhes sobravam 800 milhões. O PS prometeu e foi mais uma das mentiras da campanha eleitoral."
É justo isto? Não é, não pode ser. Este rendimento deve ser sujeito a imposto como acontece em muitos países europeus. É bem revelador do carácter de Sócrates e Cª. A taxação de uma parte dos prémios aos gestores da banca não passa assim de uma panaceia para encobrir as verdadeiras escolhas do PS e do Governo.
Aqui fica a lista do que ganharam os 10, em mais-valias da bolsa, sem pagarem um cêntimo de impostos:
Américo Amorim (Galp), 1175 milhões
Soares dos Santos (Jerónimo Martins), 1075 milhões
Belmiro de Azevedo (Sonae), 811 milhões
Vasco de Melo (Brisa), 383 milhões
Ricardo Salgado (BES), 371 milhões
Pedro Duarte (Teixeira Duarte), 361 milhões
Queiroz Pereira (Semapa), 263 milhões
Nuno Vasconcelos (Ongoing), 202 milhões
Manuel Fino (Cimpor), 185 milhões
António Mota (Mota-Engil), 177 milhões
Quando a crise afecta de forma severa os trabalhadores e a maioria das famílias atravessa grandes dificuldades o Governo define muito bem as suas prioridades; proteger os ricos e poderosos. Fazer que sejam os do costume, os mais necessitados, a pagar a crise de que não são responsáveis.
No ano de 2009, 10 (dez) dos maiores "trutas" deste país, ganharam em transacções bolsistas - que não acrescentam riqueza ao país - cinco mil milhões de euros, repito, CINCO MIL MILHÕES de euros. Por este rendimento NÃO PAGARAM UM CÊNTIMO DE IMPOSTOS. Se fosse um rendimento de trabalho pagariam 42 por cento de IRS.
No Facebook (registar-se como amigo para aceder) em resposta a uma pergunta minha, Louçã respondeu-me assim: "Exactamente, Fernando. Se estes senhores tivessem comprado as acções no dia 1 de janeiro de 2009 e vendido exactamente no dia 2 de janeiro de 2010, segundo a lei actual pagariam zero cêntimos, mas se o imposto fosse um mínimo de 20% pagariam o suficiente para 3 anos do aumento do acesso ao subsídio de desemprego para milhares de pessoas necessitadas - e ainda lhes sobravam 800 milhões. O PS prometeu e foi mais uma das mentiras da campanha eleitoral."
É justo isto? Não é, não pode ser. Este rendimento deve ser sujeito a imposto como acontece em muitos países europeus. É bem revelador do carácter de Sócrates e Cª. A taxação de uma parte dos prémios aos gestores da banca não passa assim de uma panaceia para encobrir as verdadeiras escolhas do PS e do Governo.
Aqui fica a lista do que ganharam os 10, em mais-valias da bolsa, sem pagarem um cêntimo de impostos:
Américo Amorim (Galp), 1175 milhões
Soares dos Santos (Jerónimo Martins), 1075 milhões
Belmiro de Azevedo (Sonae), 811 milhões
Vasco de Melo (Brisa), 383 milhões
Ricardo Salgado (BES), 371 milhões
Pedro Duarte (Teixeira Duarte), 361 milhões
Queiroz Pereira (Semapa), 263 milhões
Nuno Vasconcelos (Ongoing), 202 milhões
Manuel Fino (Cimpor), 185 milhões
António Mota (Mota-Engil), 177 milhões
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Merda para o FMI ... e para o nosso Governo.
terça-feira, janeiro 26, 2010
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Fernando
Se bem entendo, Portugal está numa espécie de banca rota. Por um lado a sua dívida externa é superior à riqueza produzida em bens e serviços. Por outro a gestão dos dinheiros de Estado continua ruinosa: O Estado gasta mais mais do que arrecada.
Todos os anos é isto: aumenta a dívida externa e também não se consegue controlar o défice. Perante isto o que fazem os nossos governantes, alinhados com os opinadores habituais? São pedidos sacrifícios aos de sempre; aos trabalhadores, às famílias pobres e também, nos últimos anos, às classes médias.
Um pedido de esforço desigual, uma repartição de sacrifícios indecorosa ... convenhamos: os bancos, as grandes empresas, os grandes e médios empresários, os banqueiros, os gestores, os administradores das empresas públicas e privadas, os senhores poderosos, continuam a acumular grandes riquezas, lucros pornográficos, mordomias inaceitáveis. E a fugir aos impostos, a branquear capitais, etc, etc. Uma vergonha, enfim.
E no meio destas dificuldades surge o impensável, o improvável, o inadmissível: o Governo prepara-se para emprestar 140 milhões de Euros a Angola. A Angola! Um país governado por uma família de cleptómanos e cleptocrático. Um país rico em recursos naturais. Um país que é pobre porque é governado por ladrões e corruptos.
Não sei como adjectivar isto: um país de endividados, das contas descontroladas, de dois milhões de pobres, de mais de 600 milhões de desempregados (um país que não tem dinheiro para pagar o subsidio de desemprego a mais de 200 mil trabalhadores desempregados), é este país que vai "emprestar" 140 milhões de euros. Nada contra os angolanos, nada contra o apoio a quem precisa mais do que nós, nada disso. O problema mesmo é fazerem de nós papalvos ...com todo o descaramento.
Angola precisa de apoio. Precisará, talvez. Como precisam outros países a quem nos ligam laços afectivos e dívidas impagáveis de 500 anos de colonialismo. Mas Portugal não tem condições ... como país, neste momento. Quem puder que pague. Façam campanhas, peditórios, acções de solidariedade. Não peçam é para todos pagarem. Precisamente, porque alguns não podem pagar, bem pelo contrário, precisam é do apoio do Governo do seu país. 140 milhões de euros davam para que apoios sociais em Portugal? E que se foda o FMI! E que se fodam os nossos governantes.
Todos os anos é isto: aumenta a dívida externa e também não se consegue controlar o défice. Perante isto o que fazem os nossos governantes, alinhados com os opinadores habituais? São pedidos sacrifícios aos de sempre; aos trabalhadores, às famílias pobres e também, nos últimos anos, às classes médias.
Um pedido de esforço desigual, uma repartição de sacrifícios indecorosa ... convenhamos: os bancos, as grandes empresas, os grandes e médios empresários, os banqueiros, os gestores, os administradores das empresas públicas e privadas, os senhores poderosos, continuam a acumular grandes riquezas, lucros pornográficos, mordomias inaceitáveis. E a fugir aos impostos, a branquear capitais, etc, etc. Uma vergonha, enfim.
E no meio destas dificuldades surge o impensável, o improvável, o inadmissível: o Governo prepara-se para emprestar 140 milhões de Euros a Angola. A Angola! Um país governado por uma família de cleptómanos e cleptocrático. Um país rico em recursos naturais. Um país que é pobre porque é governado por ladrões e corruptos.
Não sei como adjectivar isto: um país de endividados, das contas descontroladas, de dois milhões de pobres, de mais de 600 milhões de desempregados (um país que não tem dinheiro para pagar o subsidio de desemprego a mais de 200 mil trabalhadores desempregados), é este país que vai "emprestar" 140 milhões de euros. Nada contra os angolanos, nada contra o apoio a quem precisa mais do que nós, nada disso. O problema mesmo é fazerem de nós papalvos ...com todo o descaramento.
Angola precisa de apoio. Precisará, talvez. Como precisam outros países a quem nos ligam laços afectivos e dívidas impagáveis de 500 anos de colonialismo. Mas Portugal não tem condições ... como país, neste momento. Quem puder que pague. Façam campanhas, peditórios, acções de solidariedade. Não peçam é para todos pagarem. Precisamente, porque alguns não podem pagar, bem pelo contrário, precisam é do apoio do Governo do seu país. 140 milhões de euros davam para que apoios sociais em Portugal? E que se foda o FMI! E que se fodam os nossos governantes.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O negócio da crise.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
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Fernando
Depois da recusa inicial à actualização do salário mínimo nacional, à revelia do acordo rubricado na concertação social, os representantes patronais admitem agora um pequeno aumento, ainda assim muito longe dos 25 euros acordados para 2010 (para 475 euros), considerando aquela actualização como impraticável face à crise.Ora, como diz Carvalho da Silva, esta posição dos patrões é uma grande falácia a que se somam outras: Por um lado cultivam a "institucionalização da crise" a servir de pretexto para "limitar negociações" agora e no futuro, por outro, porque este montante, no conjunto da massa salarial, representa um valor insignificante, estimado à volta de 0,5 por cento, por fim, porque os custos salariais são apenas um elemento dos custos de trabalho e seguramente, não o mais importante.
É interessante constatar que são sempre os custos salariais a serem "convocados" quando se fala em dificuldades das empresas, raramente sendo chamados os restantes custos (do negócio) e destes os mais evidentes, como a electricidade, as comunicações, os juros de empréstimos, para me ficar apenas pelas áreas de negócio que dão chorudos lucros.
Pois é, eles protegem-se uns aos outros. Lastimável é estarem sempre com a mesma ladainha.
Meus senhores, nenhum trabalho a tempo inteiro (e nas condições em que a maior parte deles é executado - sem horários fixos, sem condições e sem direitos dignos) merece um salário de 475 euros. Deixem-se de tretas! Esse choradinho já não cola!
Triste, muito triste é verificar que o salário mínimo em 2009 vale hoje menos que o salário mínimo em 1974. Uma vergonha e uma exploração dos novos e velhos ricos. O 25 de Abril não foi feito para isto.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Desemprego: a marca de um capitalismo predador
terça-feira, dezembro 01, 2009
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Fernando
Dizer a um desempregado, a um Pai, uma Mãe, cujas empresas onde trabalhavam, acabaram por fechar, ao jovem que não consegue um contrato de trabalho para dar um rumo à vida, que estamos a sair da crise, como não se cansa a propaganda de encher os nossos ouvidos, é um insulto a quem o presente é um drama e o futuro uma perspectiva medonha.
A taxa de desemprego de 10,2% em Portugal, divulgada pela Eurostat, a quarta maior da zona euro e a sétima da União Europeia, é a marca do capitalismo predador, de uma elite empresarial gananciosa, de políticos incompetentes, de uma burguesia imoral.
Aceitar que não há alternativas, desistir de lutar por transformações sociais e radicais nas sociedades, pela justiça social, por direitos de cidadania, é ser cúmplices com esta gente indigna. Lutar, lutar sempre, por uma vida decente e digna, para derrotar estas políticas que se nos apresentam como inevitáveis. Como se fosse inevitável e normal, haver fome, guerras, desrespeito pelos direitos humanos.
Sem emprego não há economia!
A taxa de desemprego de 10,2% em Portugal, divulgada pela Eurostat, a quarta maior da zona euro e a sétima da União Europeia, é a marca do capitalismo predador, de uma elite empresarial gananciosa, de políticos incompetentes, de uma burguesia imoral. Aceitar que não há alternativas, desistir de lutar por transformações sociais e radicais nas sociedades, pela justiça social, por direitos de cidadania, é ser cúmplices com esta gente indigna. Lutar, lutar sempre, por uma vida decente e digna, para derrotar estas políticas que se nos apresentam como inevitáveis. Como se fosse inevitável e normal, haver fome, guerras, desrespeito pelos direitos humanos.
Sem emprego não há economia!
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Fome
quarta-feira, maio 27, 2009
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Fernando
Em 2008, os quinze Bancos Alimentares contra a Fome em Portugal distribuíram 17.500 toneladas de alimentos (num valor estimado de 26,2 milhões de euros) a mais de 1.600 instituições de solidariedade social, que reencaminharam estes donativos a 250 mil pessoas comprovadamente carenciadas. Entre elas, a presidente da organização, Isabel Jonet, destaca o milhão de idosos que vive com cerca de 300 euros por mês. Mais palavras para quê? Este fim-de-semana há uma campanha de recolha.
(do Jornal OJE de 27 de Maio de 2009)
Sim! Mais palavras para quê? Isto diz tudo sobre a sociedade que andamos a construir. Uma corja os nossos líderes!
(do Jornal OJE de 27 de Maio de 2009)
Sim! Mais palavras para quê? Isto diz tudo sobre a sociedade que andamos a construir. Uma corja os nossos líderes!
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Ainda sobre a Autoeuropa
sexta-feira, maio 22, 2009
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Fernando
Belmiro de Azevedo critica os trabalhadores da Autoeuropa de não aceitarem a mobilidade e a flexibilidade laboral. Mente contudo Belmiro de Azevedo. Se há quem aceitou a aplicação desses princípios, em situações que assim o exigiram (e que no passado foram elogiadas e apresentadas como exemplos de cooperação e de encontro de soluções realistas), pensando não apenas nos seus próprios interesses, mas também nos da empresa, na importância da Autoeuropa na economia nacional (é responsável por 10% das exportações nacionais) e ainda no impacto no emprego e na economia local (estão em causas milhares de empregos e dezenas de empresas que fazem trabalho subsidiário para a Autoeuropa), foram os trabalhadores da Autoeuropa.
Ainda assim os trabalhadores, ao contrário do que diz Belmiro, não se recusam a trabalhar ao Sábado (em períodos de maiores picos de trabalho e para compensar os dias não trabalhados - a empresa propõem uma semana de 4 dias de trabalho com o 5º dia a entrar na bolsa de horas). O que não querem é que um trabalho ao Sábado, seja pago como um dia de trabalho normal. E mais ainda. Numa atitude de grande compreensão e responsabilidade aceitam a partilha deste trabalho extraordinário; recebendo apenas metade com o restante entrar na contabilidade da bolsa de horas.
Querer que os trabalhadores sejam os únicos a pagar as dificuldades é próprio de mentalidades retrógradas e de pessoas que não respeitam a dignidade dos trabalhadores. Querer que os trabalhadores aceitem tudo sem resistir é não perceber que apenas com a luta se consegue defender e conquistar direitos, cuidando de saber quando é necessário recuar.
Já sobre o ministro da Economia, Manuel Pinho, pouco haverá a acrescentar ao que tem sido dito pela generalidade dos comentadores: é talvez o ministro mais incompetente e um "vendido" aos interesses do patrões e da finança. Falar em falta de competividade, em produtividade, quando todos os indicadores indicam ser a Autoeuropa e os trabalhadores, dos maiores exemplos de competência, conhecimentos, produtividade é próprio de quem não sabe o que diz e que está de cócoras perante as multinacionais.
Ainda assim os trabalhadores, ao contrário do que diz Belmiro, não se recusam a trabalhar ao Sábado (em períodos de maiores picos de trabalho e para compensar os dias não trabalhados - a empresa propõem uma semana de 4 dias de trabalho com o 5º dia a entrar na bolsa de horas). O que não querem é que um trabalho ao Sábado, seja pago como um dia de trabalho normal. E mais ainda. Numa atitude de grande compreensão e responsabilidade aceitam a partilha deste trabalho extraordinário; recebendo apenas metade com o restante entrar na contabilidade da bolsa de horas.
Querer que os trabalhadores sejam os únicos a pagar as dificuldades é próprio de mentalidades retrógradas e de pessoas que não respeitam a dignidade dos trabalhadores. Querer que os trabalhadores aceitem tudo sem resistir é não perceber que apenas com a luta se consegue defender e conquistar direitos, cuidando de saber quando é necessário recuar.
Já sobre o ministro da Economia, Manuel Pinho, pouco haverá a acrescentar ao que tem sido dito pela generalidade dos comentadores: é talvez o ministro mais incompetente e um "vendido" aos interesses do patrões e da finança. Falar em falta de competividade, em produtividade, quando todos os indicadores indicam ser a Autoeuropa e os trabalhadores, dos maiores exemplos de competência, conhecimentos, produtividade é próprio de quem não sabe o que diz e que está de cócoras perante as multinacionais.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Autoeuropa: os trabalhadores e o emprego antes de tudo
quinta-feira, maio 21, 2009
-
Fernando

As negociações na Autoeuropa estão hoje mais difíceis que no passado. A crise na indústria automóvel está à vista de todos. Vendem-se menos unidades. Haverá muitas razões que podem explicar isso, mas de todas, o abaixamento do poder de compra, muito sentido após a adesão à moeda única, explicam, em Portugal, a fatia maior na diminuição das vendas . Hoje a troca de carro é mais tardia e os jovens mostram grandes dificuldades em ter o seu primeiro carro (como a sua primeira casa, o primeiro emprego, etc. ).
No passado recente os acordos na Autoeuropa mereceram elogios e reparos: a) elogios pela actuação competentes dos dirigentes da CT nas negociações, sabendo conciliar firmeza na defesa dos direitos dos trabalhadores e elasticidade negocial na procura de soluções, assegurando sempre que a um recuo se seguiria um avanço em “dobro”, sempre que as condições económica-financeiras da empresa desse mostras de melhoria, como veio algumas vezes a acontecer. B) reparos, ou melhor dito ataque soezes dos que vêem o sindicalismo apenas como um instrumento de combate político-partidário e não como meio de defesa dos superiores interesses dos trabalhadores e dos seus direitos (como bem perceberam os trabalhadores que em plenários aprovaram sempre e por larguíssima maioria os acordos celebrados). Viu-se o que deram estas intransigências na OPEL da Azambuja: deslocalização da empresa e trabalhadores para o desemprego. Por fim, ainda, alguns empresários sem escrúpulos que deturpando o acordo apenas se referiam à flexibilidade negocial, escondendo as garantias e os direitos subsidiários conseguidos.
Não, por acaso, a Autoeuropa tem-se aguentado, não tem havido despedimentos, os trabalhadores continuam a ganhar acima da tabela, os trabalhadores não têm perdido direitos mas apenas trocado ou suspenso. Agora os dirigentes e os trabalhadores, na renegociação de um novo acordo, deparam-se com uma intransigência inesperada e forte da administração, parecendo difícil encontrar soluções de consenso, em que as partes possam ceder, sem colocar em causa a perda de empregos, a deslocalização da fábrica ou a perda de direitos de forma definitiva, isto apesar dos apoios do Estado concedidos à indústria automóvel.
A CT de trabalhadores enfrenta um novo teste. E qualquer que seja a decisão será, agora redobradamente, motivo de criticas. Um acordo com a empresa, nas condições pretendidas pela administração será entendido como uma cedência, uma capitulação. Uma atitude de total irredutibilidade, poderá colocar em causa alguns postos de trabalho, ou mesmo a deslocação da produção para a Alemanha e o despedimento colectivo. Em última análise é toda uma economia de uma região que está em causa. Dezenas de empresas que sobrevivem à custa da Autoeuropa, milhares de trabalhadores a correrem riscos de desemprego.
Há quem já esteja de dentes afiados. A célula do PCP está à espera de lançar o ataque seja qual seja a decisão e mesmo que esta tenha o apoio dos trabalhadores. Aos dirigentes, agora como no passado, exige-se inteligência, criatividade. Ser firme mas pesar todas as consequências, não arrastando os trabalhadores para becos sem saída, irremediáveis. Não queria estar na pele dos dirigentes da Comissão de Trabalhadores. Em última análise caberá aos trabalhadores decidirem. Não desistindo de lutar mas cuidando de não esticar a corda até rebentar.
Como já tive de dizer num anterior post: a crise veio mostrar como o capitalismo é ganancioso e selvagem. Em tempo de vacas gordas enchem-se à vontade e à larga não partilhando com os trabalhadores a criação da riqueza. Nas dificuldades os trabalhadores são tratados como cães vadios. Aos primeiros sinais, fazem verter sobre os trabalhadores a crise, despedem, fecham as empresas. Não aceitam a diminuição dos lucros. Uns tempos de prejuízos depois de anos e anos de intensos lucros. A diminuição dos tempos de trabalho, os lay-off’s, são ganhar tempo, para esconder o despedimento colectivo que vem logo a seguir. Os trabalhadores que sabem o que significa o drama do desemprego, não se esquivariam nunca a ceder temporariamente direitos, salários, se a crise existir de facto e perfeitamente demonstrada.
O problema é o capitalismo predador.
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