perco o olhar noutras palavras puras e ofereço-me à
sabedoria das aves sou esse vagabundo que apanha as
palavras despidas de êxito e vai depositá-las nos convés
da espera
nem outra margem me segura os passos vou por este
lado do engenho onde o sonho inspira as aves para a
construção dos ninhos
assim se cumpre o signo dos meus dias ir até ao fim da
estrada com as palavras coladas aos dedos
A propósito das presidenciais, duas certezas: não voto, não votarei nunca em quem, por actos ou omissões, seja uma pessoa de direita. De direita mesmo, e não porque se afirma de direita. Como não votarei numa pessoa porque se afirma de esquerda. Direita e esquerda continuam a contar ... na vida pessoal, como agimos no dia a dia, na forma como cada parte olha o mundo, tratam as desigualdades e as injustiças sociais ... ou como as querem resolver. Não voto, por isso em Cavaco Silva como não voto em Manuel Alegre. No primeiro por razões óbvias quem conhece o meu mundo. Em Alegre, podia escolher muitas razões, mas escolho esta, que é uma razão de ordem da ética pessoal: não confio numa pessoa que recorre a uma manobra manhosa e indigna para receber uma avultada reforma. Uma reforma correspondente ao cargo de coordenador da RDP, cargo que suspendeu em 1975 com a eleição para deputado, continuando contudo a descontar para efeitos de reforma, durante mais de 30 anos, concomitantemente com o exercício de deputado e no mesmo período, razão pela qual teve direito a uma reforma vitalícia de 3 219,95 euros que acumula com a reforma de deputado. Uma vergonha! Não, este homem não me convence, decididamente.
Mas esta introdução serve apenas de pretexto (ou o contrário) para lançar este extraordinário poema de António Gedeão. Também eu preciso de certezas ... ou sentir que tenho razão às vezes ... mesmo quando não a tenho. Um desabafo, enfim.
Certezas, precisam-se
Preciso urgentemente de adquirir meia dúzia de valores absolutos,
inexpugnáveis e impenetráveis,
firmes e surdos como rochedos.
Preciso urgentemente de adquirir certezas,certezas inabaláveis, imensas certezas, montes de certezas,
certezas a propósito de tudo e de nada,
afirmadas com autoridade, em voz alta para que todos oiçam,com desassombro, com ênfase, com dignidade,
acompanhadas de perfurantes censuras no olhar carregado, oblíquo.
Preciso urgentemente de ter razão,
de ter imensas razões, montes de razões,
de eu próprio me instituir em razão.
Ser razão!
Dar um soco furibundo e convicto no tampo da mesa e espadanar razões nas ventas da assistência.
Preciso urgentemente de ter convicções profundas,
argumentos decisivos,
ideias feitas à altura das circunstâncias.
Preciso de correr convictamente ao encontro de qualquer coisa,de gritar, de berrar, de ter apoplexias sagradas em defesa dessa coisa.
Preciso de considerar imbecis todos os que tiverem opiniões diferentes
da minha,
de os mandar, sem rebuço, para o diabo que os carregue,
de os prejudicar, sem remorsos, de todas as maneiras possíveis,
de lhes tapar a boca,
de lhes cortar as frases no meio,
de lhes virar as costas ostensivamente.
Preciso de ter amigos da mesma cor, caras unhacas,
que me dêem palmadinhas nas costas,
que me chamem pá e me façam brindes em almoços de camaradagem.
Preciso de me acocorar à volta da mesa do café, e resolver os problemas sociais entre ruidosos alívios de expectoração.
Preciso de encher o peito e cantar loas,
e enrouquecer a dar vivas,
de atirar o chapéu ao ar,
de saber de cor as frequências dos emissores.
O que tudo são símbolos e sinais de certezas.
Certezas!
Imensas certezas! Montes de certezas!
Pirinéus, Urais, Himalaias de certezas!
Vontade de escarrar,
vontade louca
de dizer palavrões
a toda a gente!...
E tudo fica igual,
como se nada
tivesse acontecido
em qualquer parte;
e tudo fica mudo,
a mastigar
pra dentro
os palavrões
que era
preciso
dizer,
para que a tarde
fosse tarde
e o Outono
Outono
e o riso fosse riso
-um bimbalhar de sinos-
e as estrelas
brilhassem como sóis...
É preciso
acordar
a madrugada
-antes que a matem,
inda mal desperta!...
Alfredo Reguengo
05/12/1969
(Poemas da Resistência)
Eu não tenho jeito nenhum para a poesia. Também não conheço as regras, a métrica, contar e combinar as sílabas, os sons, a rima. Mesmo assim e a pedido, escrevi um poema que a minha querida amiga Helena me fez lembrar aqui há uns dias. Depois fiz mais uns outros. Pedindo perdão pela falta de jeito, nesta quadra, apetece-me lembrar e pegar num desses poemas, escrito, precisamente em Dezembro de 2005. Foi o meu segundo. E poucos mais se seguiram, estejam descansados.
Apaga a Luz
Vem! Vamos. Eu quero ir. Anda. Vem mesmo assim! Deixa tudo. É só uns tempos. Tu precisas de ir! Eu quero ir.
Vamos os dois!
Anda conhecer o mundo. O mundo do outro lado! Vá! Anda. Ao outro lado Comigo! Vem! Vem ver como é O outro lado!
Não faças de conta Que não é contigo! É contigo é comigo É com todos! Vem! Vem mesmo assim Eles não são de cerimónias. Retira só o casaco Da indiferença. Vem ver o lado dos que sofrem!
Viste? Pronto!
Agora, deixa-me só! Deixa-me comigo. Deixa-me esquecer que existo. Deixa-me esquecer que estou vivo. Deixa-me com a minha vergonha! Isto passa… Amanhã é outro dia. Amanhã… Já estamos do lado de lá. Podes começar a vestir o casaco Amanhã é tudo igual. Tu não viste. Eu não ouvi. Nós não vimos nada de mal Nós vamos continuar a fingir Nós vamos continuar a mentir!
Cambada de cobardes! Puta que nos pariu!
Apaga a luz E deixa-me só! Já te disse. Foda-se! Eu quero ficar só Ouviste! Apaga essa merda Caralho!
"Que topete! Que descaramento! Que imoralidade! - os do Dr. António Mexia, a dar-lhe com "os objectivos", ao ser confrontado pelos jornalistas sobre o estupor público suscitado pela soma faraónica que arrecadou nos últimos anos, com o indecoroso aval do accionista Estado, à conta dos consumidores da EDP, cujas tarifas foi aumentando.
Que estarrecedora insensibilidade - a do Primeiro Ministro, hoje ao lado de Mexia, todo elogios ao gestor, sem uma palavra de admoestação, a impôr moderação, a pedir contenção, semelhante à que pede ao povo.
Para aqueles a quem se impõem sacrificios, é juntar ofensa à ferida.
Remexemo-nos face aos mexias?
".
Ana Gomes, "Causa Nossa", 07-04-2010
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Posts ao calhas
Alguns pensamentos
1 - Há pessoas que pensam melhor que outras. Dominam melhor as técnicas. Gozam de mais instrução, são mais brilhantes, possuem mais informação, desenvolveram melhor certas capacidades. Admito isso sem custo. Mas, por si só, tais capacidades não as habilitam mais. Ou são, as suficientes para ter uma melhor opinião. Por isso é que não guio as minhas opiniões pelo que os outros dizem. Tenho-as em conta. Mas apenas isso.
2 - Há muitas variáveis que constroem um pensamento. A nossa vivência, o nosso trabalho, o meio em que nascemos e convivemos, as circunstâncias da vida, forjaram personalidades distintas e sabedorias diferentes. Por isso somos diferentes. É no encaixe de algumas destas peças, do puzzle da vida, que se alinham causas idênticas e se juntam as pessoas em volta de certos propósitos. É a esta luz que encontro a explicação para diferentes posicionamentos em questões capitais da organização da sociedade. Ou na forma de estar em sociedade e na vida.
3 - A vida é feita de combates. A minha tem sido feita de pequenas lutas. As conquistas não caem dos céus. As derrotas não são um drama. Já ganhei e já perdi, hei-de ganhar e perder mais vezes, mas não desisto, enquanto pensar que os objectivos ou as causas são justas. Cuidando de não viver distraído com propagandas e coisas que não interessam, tantas vezes ampliadas pelos meios de comunicação.
4 - A participação na vida pública, para quem defende uma cidadania de exigência, rigor e de transparência, na tomada de decisões dos poderes públicos, é uma exigência cívica ditada por uma boa consciência. A demissão desta responsabilidade individual, empobrece e desqualifica a democracia, favorece o tráfico de influências, a rede de interesses, os compadrios, a corrupção.
A Romaria d’Agonia está a chegar, e no comércio tradicional da cidade de
Viana do Castelo já se sente um pouco do ambiente da Romaria. Há alguns
estabeleci...
Interrompo uma longa pausa na escrita só para repescar um dos meus temas de
eleição, parte da explicação para o declínio deste país turistificado: o
porn...
Se dizia impressionada com a exatidão das adivinhações da cartomante e
passou a decidir tudo sobre relações, de namoro e amizade, com base nas
revelações d...
A poesia não gramatical, o livro sem autor, o vinho, a beata para dois, o
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.
O *Museu Nacional Ferroviário* (MNF) é dedicado ao património ferroviário e
possui vários núcleos museológicos distribuídos pelo país.
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Luís Neves é provavelmente o ministro mais sinistro do actual governo do
PSD e, talvez por isso, seja também muito apreciado nas hostes do partido
socialis...
Tal como Henrique Carmona da Mota - que foi um prestigiado médico pediatra
-, nesta opinião publicada no *Expresso* e tal como o antigo ministro das
Fina...
Aqui tinha apresentado uma lista de sugestões para os que acham que os
jogos de tabuleiro tradicionais glorificam o capitalismo ou o imperialismo.
Na Stran...
*ABRIL **2026 *
TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL Caixa Geral de Aposentações, IP
Aviso n.º 4924/2026/2 Sumário: Lista de aposentados e reform...
Autora deste blogue, activista anti-fascista, Joana Lopes faleceu ontem,
dia 5 de Fevereiro de 2026.
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J.D. Vance, vice-presidente dos USA's sem papas na língua anunciou na
recente Conferência de Segurança de Munique quais são as posições dos
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Governo foi “até onde podia ir” nos aumentos salariais na Função Pública “A
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Realmente, o dia que Marcelo Rebelo de Sousa reservou na sua
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*SURPRESA!*
Desenganem-se que sou muito mais liberal do que socialista, mas sou sujeito
a esse interessante anátema de que agora tudo o que não pertence ...
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malha densa de infra-estruturas viárias e alcatrão. E depois há o outro
país. Fi...
*No passado dia 4 de Setembro publiquei aqui uma carta enviada por e-mail
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eleições pa...
Com novo formato, nova capa (de Diogo Maia Caetano) e paginação, revisão,
e uma entrevista e nota bio-bibliográfica no fim, uma nova edição de Os
Cadernos...
*Time flies quickly from future into past. In Augustine’s words, “the
present occupies no space.” Thus, “time” both exists (the language speaks
of it and...
Prefiro o "L’Obéissance est Morte" ao jornal Sol, por isso foi aqui que
descobri este artigo de opinião do José António Saraiva (JAS) republicado
de um...
Sheer blouse now is regarded as the sexiest blouse that can show off the
curve of your body. Sheer blouse is thin and of course more inexpensively.
There a...
Alguém tem passado pelo Palácio de belém? É que mora lá um tal de Sr. Silva
que uma vez afirmou " Juro por minha honra desempenhar fielmente as
funçõe...
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se acham os máximos, quando em determinados eventos de ( em vida ) morte.
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Este blogue teve o seu tempo. Foi um blogue interventivo, à esquerda, de
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*«Em política, eu sou anarquista. *
*Odeio governos, normas e grilhetas. *
*Não aceito animais enjaulados. *
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com ...
Diz-me assim o Fabrice, sotaque francês em português perfeito: você tem um
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*"I think we've been through a period where too many people have been given
to understand that if they have a problem, it's the government's job to
...
Recebi no meu correio electrónico um "mail", cujo texto reproduzo, bem como
os dois anexos [Fotos que se seguem] que supostamente é da autoria do
conhecido...
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ameri...
Quando ouvi a notícia não liguei muito. Era mais uma das que o Governo nos
impinge todos os dias. Num dos *Eixo do Mal*, da *SIC Notícias*, de há
meses ...
A partir de agora, e com o objectivo de agregar a minha página e o meu blog
num único local, este blog passa a estar em
http://miguelangelovalerio.wordpr...
A partir das 13h de Segunda, 5 de Setembro, arranca o novo blogue "Forte
Apache" onde encontra boa parte da equipa do Albergue Espanhol e novos
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Poderia ter acontecido noutro dia qualquer mas aconteceu no 7 de Novembro
de 2006. Nesse dia tínhamos a ideia de criar um blogue feito de Braga com
vistas ...
Talvez, talvez sejam os últimos
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Apesar dos aviões da Nato despejarem
bombas e bombas no Kosovo, a perfeição
mora ne...