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quinta-feira, 16 de abril de 2009

Incompetentes e palhaços (sem ofensa para os palhaços)

O Governo admite alterar a fórmula de actualização das pensões que, recorde-se, estão indexadas ao comportamento da economia, sendo que mesmo assim, em períodos de crescimento económico, as pensões baixas e médias não recuperavam, face aos baixos valores de origem, nem tão-pouco acompanhavam, em igual medida, o ritmo de crescimento, situação que sempre foi denunciada pela CGTP e pelos partidos de oposição. Com a economia em recessão os valores das pensões estão a perder mais valor todos os dias, levando o Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, a admitir pela primeira vez, a possibilidade de alterar as regras de actualização, dando assim razão, às oposições.

O Governo parece ter entrado numa fase nova: agora está disposto a aceitar tudo o que antes tinha combatido, num perfeito desnorte que a proximidade das eleições não explicam tudo: eu chamo-lhes incompetentes. Depois de terem desenvolvido políticas assentes num neo-liberalismo económico, agora dizem combatê-lo. Depois de chamarem todos os nomes, a quem defendia o fim dos Off-shores, agora afirmam que são a fonte de todos os males, depois de estarem contra a abertura do sigilo bancário, porque que afastaria os depositantes de Portugal, preparam-se para apoiar a proposta do Bloco de Esquerda. Quando antes votaram contra o pacote de propostas de Cravinho contra a corrupção, agora ... vão pensar no assunto.

Um dia destes ainda vou ver o Sócrates a fumar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Indecências

Os níveis de desemprego são muito preocupantes. A inscrição de 70 334 novos desempregados em Janeiro nos centros de emprego é a imagem da dimensão da angústia que afecta centenas de milhares de famílias. Quando em Dezembro, um Sócrates farsola, arrogante, depreciava os números de desemprego, abaixo das previsões (números enganadores, mascarados pela “saída” meramente estatística de desempregados em formação profissional), estava a exercitar o discurso mentiroso, com que vem apunhalando os portugueses mais desprotegidos, mostrando aquilo que é verdadeiramente; uma pessoa falsa e de uma insensibilidade social arrepiante.

Como se não bastasse tem recusado todas as propostas da oposição que pretendem atenuar as dificuldades das famílias mais pobres e atingidas pelo drama do desemprego: dilatando a concessão do subsidio de desemprego de longa duração; atribuindo-o a desempregados do trabalho precário; diminuindo o tempo de trabalho efectivo para ter direito aos subsidio; “suspendendo” as prestações de empréstimos de habitação que resultaram de despedimentos; renegociando Spread’s; impedindo o desemprego em empresas cotadas na bolsa; nas que tiveram lucros; nas que receberam apoios estatais, etc, etc.

Mas a juntar a um governo que desde cedo mostrou as suas prioridades: atacar os direitos sociais e laborais dos trabalhadores, as reformas dos idosos, os portugueses que atravessavam mais dificuldades; para combater o défice das contas públicas, cuja responsabilidade é deles próprios, das suas incompetências e da ladroagem na gestão da coisa pública, ao longo dos anos de democracia, em seu favor e dos amigos e compadres, temos um patronato, na sua maioria, ganancioso, sem escrúpulos, sem humanidade e incompetente.

Um jornalista do Diário de Negócios a propósito do generoso “perdão” de uma dívida da Cimpor de 62 milhões de euros dizia que “…há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara.”. Tem toda a razão. Como tem toda a razão o Presidente do grupo Jerónimo Amorim quando afirma:

Perante a crise, primeiro lançaria mão das reservas financeiras (uma reserva dos lucros de anos anteriores), segurando-se com um tempo de prejuízos; depois deixaria de pagar dividendos; em terceiro lugar diminuiria os salários dos administradores e quadros do grupo; em quarto lugar, se tudo isto não chegasse, negociaria com os trabalhadores a redução do horário do trabalho e só no fim, no fim mesmo, se os prejuízos fossem insustentáveis, poderia avançar com os despedimentos (da crónica de Miguel Sousa Tavares no Expresso).

Diferenças marcantes!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Um negócio escandaloso, Cimpor e a CGD

"...há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara."




Uma vergonha, uma indecência, uma escandaleira, um roubo aos contribuintes. Um país de fracos líderes políticos, empresários sem escrúpulos, de responsáveis executivos incompetentes, um país de corruptos. Um nojo! Leiam e tirem as Vossas própria conclusões.

Um artigo de opinião a não perder. Certeiro e corajoso. Os meus parabéns ao seu autor. E à oposição que não se distrai, entre outras.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Chamem a polícia

O importante na notícia era (é) se os telemóveis podem ou não ser usados nas aulas, depois de um grupo de alunos, na galhofa, “ameaçar” a professora, com uma pistola de plástico. As pessoas entrevistadas pelas televisões até compreendiam a brincadeira, de mau gosto consideravam, mas brincadeira, não mais que isso. A professora e o Conselho Directivo achavam o mesmo e queriam esquecer a coisa, sem tirar grandes consequências. O mal foi um dos jovens ter gravada a cena e colocado na internet. O que não passava de uma brincadeira acabava num caso nacional, com direito a directos do local do crime e “opiniões públicas”, para o povinho, se pronunciar, espantem-se -a pergunta era mais ou menos esta: acha que os telemóveis devem ser usados na sala de aulas? A questão não era sobre o que os ouvintes e tele-ouvintes, pensavam dessa estranha brincadeira da pistola de plástico apontada à cabeça da professora! Do que levava uns jovens a ter este tipo de comportamentos! Do que está a falhar no nosso sistema de ensino e da educação dos nossos jovens! Não! A questão mesmo era a de saber se os alunos deveriam ser impedidos de levar consigo o telemóvel para a sala de aulas. Pronto. Fica o meu veredicto: acabem-se com os telemóveis (com câmara de filmar) na sala de aulas para a nossa segurança. Não sabendo, não conhecendo, somos mais felizes um bocado. Para rematar dois reparos para duas intervenções oportunistas: a de Mário Nogueira, porta-voz da plataforma dos professores, clamando, qual justiceiro, por uma condenação exemplar para os alunos, mais parecendo estar a escudar-se de qualquer coisa; e para o presidente da Federação dos Pais dos alunos do Porto, insinuando que havia mãozinha do sindicato na divulgação do acontecimento.

Profissionalismo e competência (a falta de)

 (clique na imagem para ver em tamanho grande)


Esta notícia sugere-me duas breves notas:
a) a primeira é de que, em mais de cinquenta anos a viver nesta cidade, nunca a ponte sobre o Rio Lima, alguma vez foi obrigada a fechar por causa do gelo e presenciei ao longo destes anos todos, muitas situações em que o tempo foi muito adverso, com muito gelo e neve. Não sei se a explicação terá a ver com a mudança do piso, mas tudo parece indicar que sim, o que nos leva a questionar sobre a qualidade da intervenção e sobre a competência dos nossos engenheiros.
b) a segunda nota é para o próprio jornal: é lamentável que referindo-se à centenária ponte Eiffel, a fotografia que enquadra a notícia, seja a de uma ponte pedonal no cais de embarque fluvial. Uma falta de respeito e de profissionalismo.
 

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