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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Desemprego: a marca de um capitalismo predador

Dizer a um desempregado, a um Pai, uma Mãe, cujas empresas onde trabalhavam, acabaram por fechar, ao jovem que não consegue um contrato de trabalho para dar um rumo à vida, que estamos a sair da crise, como não se cansa a propaganda de encher os nossos ouvidos, é um insulto a quem o presente é um drama e o futuro uma perspectiva medonha.

A taxa de desemprego de 10,2% em Portugal, divulgada pela Eurostat, a quarta maior da zona euro e a sétima da União Europeia, é a marca do capitalismo predador, de uma elite empresarial gananciosa, de políticos incompetentes, de uma burguesia imoral. 

Aceitar que não há alternativas, desistir de lutar por transformações sociais e radicais nas sociedades, pela justiça social, por direitos de cidadania, é ser cúmplices com esta gente indigna. Lutar, lutar sempre, por uma vida decente e digna, para derrotar estas políticas que se nos apresentam como inevitáveis. Como se fosse inevitável e normal, haver fome, guerras, desrespeito pelos direitos humanos.

Sem emprego não há economia!

sábado, 25 de julho de 2009

Sócrates um traficante político. Joana Amaral Dias um bom exemplo.

Ponto de partida: o Bloco de Esquerda é o meu partido. Melhor dito: o Bloco é o partido que apoio, com que colaboro, em quem votei em todas as eleições, de quem fui deputado municipal e dirigente. Clarificando: quando disse melhor dito quero significar que os partidos são para mim, apenas, instrumentos da luta política. Não sou de ninguém nem nada é meu. Empresto-me e espero empréstimos. Desculpem-me a filosofia barata. Esta inserção serve para dizer que penso ter o distanciamento suficiente para observar os factos políticos, as questões partidárias, as ideologias, as coisas da vida, sem amarras e por isso livres, apenas comprometido com a minha consciência, uma consciência que não pesa, nos valores, nas amizades, nas considerações pessoais, na solidariedade.

Depois de muitos anos de intervenção política e partidária e de um tempo igual de afastamento (neste lapso mais ligado à actividade associativa, ao sindicalismo, à carreira profissional), acreditei num novo projecto político há dez anos atrás: um projecto de reunificação das esquerdas, à esquerda do PS, de um PS rendido às políticas neo-liberais e esquecido das pessoas, da justiça social, da dignidade do ser humano mais frágil, mais exposto, mais pobre. Um projecto a ser construído no dia a dia, lado a lado com as lutas, todas as lutas, desta gente esquecida, ignorada, abandonada, desprezada. Um projecto sem preconceitos ideológicos, sem certezas, sem ideias feitas, onde a política e a ideologia se moldaria nas lutas populares, se inspiraria na irreverência dos jovens, na sabedoria dos mais idosos, na inteligência dos trabalhadores, neste novo tempo das liberdades, da modernidade e das tecnologias. Contra o centrão dos interesses. Por uma esquerda moderna. Uma esquerda de confiança. Por uma sociedade social e economicamente mais justa, sobretudo respeitadora da dignidade das pessoas

Ponto intermédio: hoje politica e ideologicamente não sei o que sou depois de ter sido no passado, comunista, marxista, leninista, maoista. Agora sou pouco dado a ismos e istas. Sem complexos e sem fantasmas. Mas se quisesse colar um rótulo diria que sou uma espécie de anarca-comunista ou socialista libertário. O que sei que sou, decididamente, é uma pessoa de esquerda, uma pessoa de causas e valores, alguém que se preocupa e luta contra as desigualdades, a injustiça, a indignidade.

Ponto final: nestas eleições vou continuar a votar no Bloco de Esquerda. Não confio nos partidos e nos políticos do “Centro Político”. Não acredito em regenerações do PS à esquerda. Os partidos do impropriamente chamado “arco da governabilidade” são os partidos dos interesses, do oportunismo, do clientelismo, dos favores aos ricos e poderosos. Nunca o interesse público, os trabalhadores, os mais pobres, os desfavorecidos, os mais frágeis, serão a sua angústia, a razão primeira das suas preocupações e prioridades. Resta-me o PCP ou o Bloco. Não será o PCP porque discordo da sua visão do mundo, da sua posição sobre a Europa, do seu patriotismo tonto, de um conservadorismo político e ideológico, da sua postura vanguardista, sectarismo e finalmente do seu modelo de sociedade ou dos países que lhe servem de referência. O meu voto é no Bloco de Esquerda pelo projecto, pelas propostas, pelo programa, pela forma e conteúdo do combate político, pela capacidade e competência dos seus principais dirigentes.

Post scriptum: o PS de Sócrates tentou "pescar" Joana Amaral Dias para as suas listas de deputados. Ofereceu-lhe também um lugar de chefia num Instituto Público. Joana Amaral Dias recusou ambos os lugares resistindo às mordomias. Mostrou ser digna e de confiança. Os bloquistas que tanto nela bateram quando esta se mostrou desgostosa por ter sido afastada da Mesa Nacional bem podem agora morder a língua. Esteve bem agora Francisco Louçã ao lançar-lhe um elogio público. Ser do Bloco não é ser "bloquista". Ser do Bloco é ser fiel às suas convicções e ao seu projecto inicial. Já o referi aqui: alguns militantes do Bloco estão a perder humildade, a ganhar sectarismo (por via do seu crescimento) e a sofrer de uma doença muito típica dos grupos de antigamente: a partidarite. Sobre esta investida de Sócrates o pior da política e da pessoa: a falta de vergonha, a traficância política, enfim o PS e Sócrates no seu melhor.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

E Alegre se fez triste.

Alegre decidiu não entrar nas listas para deputados do PS.

Fica por saber se, para ter mãos-livre para criticar, sem constrangimentos, as políticas mais à direita de Sócrates, ou se, para garantir o apoio do PS à sua candidatura nas próximas eleições presidenciais, oferecer como contrapartida, uma gestão criteriosa dos silêncios e das palavras, para não fazer mossa suficiente ao PS, e por outro, transmitir uma ideia de independência, visando captar apoios noutros sectores de esquerda, particularmente independentes e do Bloco de Esquerda.

Seja qual for a razão, Manuel Alegre nunca será (nunca seria) o meu Presidente.

Se Manuel Alegre fosse uma pessoa consequente, deveria ter deixado o PS e fundado outro e liderado um processo de convergências à esquerda, sendo que o passo imediato seria uma coligação eleitoral com, pelo menos, o Bloco de Esquerda. Um processo que pela sua dinâmica poderia alargar de forma significativa o campo da esquerda e das alternativas de poder.

Manuel Alegre, com esta decisão não deixou de ser fiel a si próprio. Uma pessoa insegura, indecisa, sem capacidade de liderança, sem estratégia, movido principalmente, pela sua vaidade pessoal e por alguns problemas de consciência de uma esquerda burguesa.

sábado, 2 de maio de 2009

Entregar trunfos

Como por Viana do Castelo não há manifestações mas apenas umas provas de atletismo e um comício onde tudo se repete e cansa, o meu 1º de Maio deu-se em Ponte de Lima, num bonito concerto de Pedro Barroso no lindo Teatro Diogo Bernardes. Só hoje, por isso, soube dos acontecimentos que envolveram Vital Moreira, na manifestação de Lisboa.

Depois de ter lido, ouvido e visto através das imagens das televisões o que se passou (umas bocas, uns empurrões, uns insultos, pequenas agressões), o que sobra é uma tempestade em algumas garrafas de água. Da parte de uns, muita intolerância, sectarismo, falta de cultura cívica. De outro lado, a tentativa de capitalizar eleitoralmente o sucedido. Bem esteve Carvalho da Silva. Lamentando, condenando, pedindo sinceras desculpas, procurando manter as pontes, mas reduzindo a expressão a um grupo isolado de manifestantes e rejeitando leituras de premeditadas intenções …bem como de tentativas de aproveitamento político.

Mal esteve o PS e Jerónimo de Sousa. O primeiro extrapolando demasiado os factos para capitalizar eleitoralmente. O segundo, refugiando-se em escapatórias lastimáveis de que não teria visto, como quem diz, foi bem feito mas não me comprometam.

Dito isto não quero justificar ninguém. O combate político também é isto. De tudo o que se passou o que lamento mesmo são as agressões. Na verdade, temos todos ainda muito que aprender. E se o desespero pode justificar certas actuações o sectarismo não é uma boa ajuda. O combate político faz-se essencialmente no debate e no confronto de ideias. E a liberdade de opinião é essencial num regime democrático.

Para ganhar a maioria social é preciso confrontar a sociedade com políticas alternativas, confiáveis, coerentes, credíveis. O inimigo dos trabalhadores é o regime capitalista. Derrotar as ideias neoliberais, ganhar a confiança pessoal e política, para novas políticas e criar uma consciência de classe é o caminho para a mudança e a transformação, para uma sociedade verdadeiramente democrática e de justiça social e económica. Vitais, Sócrates, Manelas são ...pouca coisa.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Tenham medo, muito medo ...os radicais esquerdistas andam muito activos

Ui, tanta gente assustada! O Bloco de Esquerda, parece mesmo estar a apavorar muita gente, tementes de um crescimento eleitoral (que sucessivas sondagens antevêem), mas sobretudo pelo que parece ser, uma aceitação das suas propostas e ideias que, pasme-se "estão a inflamar as consciências dos portugueses e a colocar em causa as democracias ocidentais, sobre o manto de uma pretensa moralização do sistema e da própria democracia", mas que apenas visam, (muito cuidado), fazer um ataque aos ricos ...porque sim. Inveja, talvez, direi eu! A continuar assim não demora nada, avizinha-se uma revolução de contornos "totalitários". Cuidem-se ricos! Os esquerdistas, radicais, comunistas, anarquistas e afins, andam, por aí.

A propósito ou não, leiam um excelente artigo de Francisco Louçã no esquerda.net ...colocando os pontos nos is contra a contra-propaganda e um certo medo que nos procuram incutir.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Compreender a crise


Entre Janeiro e Abril deste ano, em apenas três meses, o Banco de Portugal alterou as suas estimativas de evolução da economia em Portugal de forma drástica. É caso para dizer: esta gente ou é tremendamente incompetente ou anda muito distraída ou anda a fazer fretes a alguém. Por mim, inclino-me para as três hipóteses, juntas. E assim se explica uma crise: lideres económicos incompetentes, políticas económicas e sociais erradas, responsáveis políticos ao serviço dos ricos e poderosos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Uma questão de opções: optar pelos ricos e poderosos é a política do Governo

Se um Governo, através da da administração fiscal deixa prescrever 3,7 milhões de euros, respeitantes ao ano de 2004, a treze instituições financeiras, as que foram por sorte ou azar "sorteadas" (imagine-se se fossem todas) que eram devidos ao Estado por incorrecções sobre o IVA aplicado ao sector financeiro e o Governo, através do Ministro das Finanças, justifica como uma opção assumida, face aos recursos disponíveis, está tudo dito sobre quais são as opções do Governo: lixar os pobres, os trabalhadores, a classe média, com a redução de direitos, dos salários, do aumento dos preços dos serviços básicos essenciais, dos impostos e de toda uma panóplia de direitos duramente conquistados. Para tudo isto não faltarem recursos e meios. Para quem foge, engana, arranja artifícios para não pagar o que é devido e de direito, falta pessoal com formação adequada na investigação, faltam meios técnicos, falta disponibilidade e vontade. Segundo o Ministro ficamos a saber que se trata de opções. Já desconfiávamos!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Bloco de Esquerda. Um projecto a ser acarinhado.

O Bloco comemora hoje dez anos. E dez anos passados, o Bloco de Esquerda incorpora as mais amplas expectativas, no projecto de reunificação das esquerdas plurais e da constituição de uma alternativa socialista, a uma doutrina económica e social apresentada como indiscutível, mas que aqui como noutras partes do mundo, apenas tem trazido mais desemprego, pobreza, menos direitos sociais a uns e ao contrário, enriquecimentos ilícitos a outros, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais.

O Bloco de Esquerda, com alguns erros de percurso, com algumas indecisões e incongruências ainda, tem feito um percurso sério, uma oposição capaz e consequente, uma denúncia enérgica das manigâncias políticas, dos negócios ruinosos, dos tráficos de influências, dos malabarismos de uma classe política e uma elite empresarial, incompetente, desavergonhada, canalha que, absorvidos nas suas carreiras políticas ou nos seus ganhos egoístas e avaros, ao menor sintoma de adversidades, que não são mais do que umas pausas nos lucros e vantagens adquiridas ao longo dos anos, atiram para as costas dos trabalhadores, das populações mais indefesas, das famílias mais pobres, as suas pequenas dificuldades, mesmo que isso signifique o arruinar das famílias, o aumentar da pobreza, trazer a miséria e a fome a muitas casas, o acabar de grandes conquistas e direitos sociais que foram e são grandes avanços civilizacionais.

Não estando todos os que se reivindicam de esquerda, sempre de acordo com as posições políticas do Bloco; de acordo com algumas propostas ou prioridades, encontrando-se ainda, aqui e ali, alguns tiques de sobranceria intelectual e moral, creio ser inegável que o Bloco se apresenta como a força política, melhor preparada, mais sólida, mais abrangente à esquerda, para se posicionar, como a verdadeira força política de esquerda e da oposição, para arquitectar um projecto de unidade e de alternativa ao sistema político vigente, num quadro de democracia representativa e democracia participativa, um regime socialista, assente num modelo de democracia semi-directa.

Embora razões particulares e políticas me tenham afastado da militância política no Bloco (a que pertenci quase desde o inicio), que seriam superáveis no debate político, mas que sendo repetições de outros no passado, se sobrepõem o cansaço psicológico e uma pouca paciência para aspectos políticos, para mim, completamente desajustados, no tempo e pelo tempo, considero o Bloco de Esquerda, uma esperança que não pode ser desaproveitada ou enjeitada, depois de mais de trinta anos sem uma verdadeira alternativa de esquerda, se quisermos construir um projecto de unidade, de convergências e de alternativa política de poder.

Os ataques do PS neste congresso, as afirmações de Pedro Passos Coelho que habituais eleitores do PSD irão votar no Bloco, os desesperos de Sócrates quando Louçã intervém, as investidas agressivas de algumas pessoas influentes na imprensa, indiciam que o Bloco está a incomodar muita gente e a ganhar apoios populares. Há que dar força a este projecto pois, sendo que os militantes bloquistas não devem pensar o Bloco como um fim, mas como um instrumento do combate político pluralista das esquerdas anti-capitalistas; um projecto a ser construído paulatinamente para uma alternativa consistente e duradoira.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Pornografia é o quê?

Um irmão meu, antes do 25 de Abril de 74 (antes de 74 quer dizer no tempo do fascismo), foi multado pela polícia dos costumes, por ter sido apanhado a dar um beijo à namorada, no jardim público. O filme já está de volta. A regulação do gosto e dos costumes pela cartilha moralista-religiosa veio para ficar. Depois da censura às micro-imagens de mulheres desnudas no Magalhães do Carnaval de Estarreja a polícia de Braga apreendeu vários exemplares de um livro de pintura que na capa reproduzia um quadro de o pintor Gustave Courbet, por sinal exposto no Museu D'Orsay em Paris, por considerarem a imagem pornográfica, posteriormente rectificado por constituir um "perigo contra a ordem pública".

Esqueceram-se da pornografia que interessa combater; aquela que o crime compensa; a de se pagar uma multa de 5 mil euros por um crime provado de corrupção na forma tentada, na ordem dos 200 mil euros.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Uma lição de Saramago

Em poucas palavras Saramago oferece-nos uma lição política sobre conceitos ideológicos, tidos como adquiridos de forma dogmática e ortodoxa, por alguns ditos revolucionários. Com uma lucidez extraordinária Saramago questiona o uso da violência física como sequestros, assassinatos, torturas, contra adversários ou inimigos políticos, mesmo simples cidadãos, como arma de combate político.

Saramago interroga-se e interroga-nos se uma linha de actuação baseado na violência fácil não arrastam consigo características genéticas que se afirmarão no poder de forma igualmente cruel. Eu, sinceramente partilho deste ponto de vista. Não sendo propriamente um pacifista, entendo que a pressão sobre os regimes mesmo os mais tiranos, não se faz à custa da humilhação, da dignidade e da violência física sobre as pessoas, por muita repulsa, nojo ou criminosas que elas sejam, e claro muito menos, sobre pessoas inocentes.

A violência revolucionária tem muitas formas de se exprimir. Para não chegar muito longe, lembro os últimos acontecimentos na Grécia ou na França aqui há uns anos atrás, aquando do assassinato de um imigrante. Ou do tipo que participei (curiosamente na altura muito criticada pelo PCP - que agora defende as FARC) no longínquo ano de 1976; o assalto e incêndio à embaixada de Espanha em protesto contra a condenação à morte de nacionalistas bascos.

Tal como Saramago, não concebo este tipo de actuações terroristas

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Greves xenófobas. E como sindicatos de classe e corporativistas podem ser reaccionários

A greve de trabalhadores ingleses contra a contratação de trabalhadores estrangeiros, é uma manifestação de xenofobia, retrógrada e desonrosa para os trabalhadores e para sindicatos ingleses envolvidos, qualquer que seja a razão aparente ou verdadeira. Estas greves são um grande retrocesso na cultura política, na percepção dos direitos, nas conquistas civilizacionais. A ninguém pode ser negado o direito de procurar o seu lugar, o seu modo de vida, a sua felicidade, onde e como quiser, sem constrangimentos, acondicionamentos, em qualquer parte do mundo, respeitando iguais direitos dos outros, no mesmo plano de igualdade, não se sujeitando a destinos delineados por outros.

O direito ao trabalho, como outros direitos, não tem nacionalidade. Os trabalhadores ingleses estão a ver mal o problema. A incerteza do emprego, a insegurança profissional e social, um quotidiano intenso e stressante, um presente e um futuro incerto, são motivos suficientes para demonstrar a nossa indignação e protesto. Mas o alvo não pode ser os iguais a nós ou pior do que nós. Os que sofrem os mesmos dramas. Horrorosos, dolorosos, terroristas.

O que eu compreenderia é que os trabalhadores exigem-se para esses seus colegas contratados, condições de salário justas, condições de trabalho dignas, cargas de trabalho adequadas, horários de trabalho consentâneos. Em defesa dos direitos universais dos trabalhadores, em solidariedade com os outros trabalhadores e para impedir concorrências desleais e desiguais.

O direito ao pleno emprego deve ser parte integrante de uma luta diária, permanente, insistente, exigente, contra este modelos das sociedades capitalistas, cuja marca principal, a impressão digital, são as injustiças sociais, a desigualdade de oportunidades, as grandes diferenças económicas e sociais.

Estas manifestações e protestos são muito perigosos no actual contexto de crise económica. Consciente ou inconscientemente, prestam um serviço ao reaccionarismo primário, são um retrocesso político e social, favorece o surgimento das forças do passado, racista, fascista e xenófobo. A participação dos Sindicatos nestas movimentações, a liderar ou a reboque dos acontecimentos, dizem-nos muito do tipo corporativista do sindicalismo, dito de classe, mas não de luta de classes.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Hugo Chavez retoma referendo para se fazer reeleger

Depois de ter visto derrotado, em referendo amplamente participado, o projecto de revisão constitucional que acabava com o limite de mandatos, e desse modo permitir a possibilidade de reeleição para o cargo de Presidente, Hugo Chaves, fez aprovar na Assembleia Nacional da Venezuela, onde detém a maioria, uma emenda constitucional, que irá permitir um novo referendo, dentro de trinta dias, sobre a matéria referendada há um ano atrás.

Concordando que as leis não são eternas, nem as eleições ou consultas populares definitivas, há sempre que guardar um período de nojo razoável, um tempo suficiente, para experimentar e depois avaliar, os benefícios (ou não) da resolução tomada, sendo tanto mais relevante uma postura deste tipo, quando a decisão resultou de uma consulta popular e depois de um debate intenso e de uma ampla participação.

Se em Dezembro de 2007 saudei Hugo Chaves por ter reconhecido os resultados, disse também logo que Hugo Chavez teria de passar por um longo período de “luto” até voltar a apresentar a mesma proposta, se fosse um verdadeiro democrata. Infelizmente, Hugo Chavez, não soube esperar e respeitar devidamente a vontade livremente expressa.

Mesmo nunca lhe apreciando o estilo e a forma, pouco ortodoxa, como pretende instaurar o “socialismo” na Venezuela (em democracia o socialismo não se introduz por decreto, nem à força, mas ganhando a confiança popular -convencendo com argumentos políticos e com alternativas credíveis nos planos político económico e social, a grande maioria, para sobretudo defender as transformações necessárias e radicais ao modelo capitalista) – e apesar de lhe reconhecer um papel muito importante, no combate às multinacionais na pilhagem dos seus recursos naturais, na denúncia das políticas agressivas e imperialistas dos EUA, nas boas medidas no campo social, no apoio solidário a outros povos, como ainda agora aconteceu em Gaza, não deixa de ser entristecedor que um projecto pessoal e populista, o cegue ao ponto de desbaratar um capital conquistado com fervor e coragem, mas que o pode afastar do poder, em 2012 e principalmente no futuro de forma definitiva.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

50 anos de Cuba ... e uma ditadura, por muito que custe admitir.

Ontem, comemorou-se o 50º aniversário da revolução cubana. Sobre Cuba tenho uma relação dúplice. Um respeito enorme, uma admiração forte, uma estima ilimitada pelo povo cubano, pela sua história, a sua cultura, a sua afabilidade. Um fascínio enorme pela revolução cubana que derrubou o ditador Fulgencio Batista. Por outro lado, a minha relação com a Cuba de hoje.

E a Cuba de hoje, a Cuba 50 anos depois da revolução, não é a Cuba da esperança, não é Cuba das liberdades, a Cuba dos nossos sonhos da liberdade, da igualdade, do bem-estar, do exemplo de respeito pelos direitos humanos.

O bloqueio económico não legitima tudo: justifica pobreza, atrasos na modernidade. Não justifica desigualdades, falta de liberdades; de reunião, de expressão, de manifestação, de impedimentos à livre organização de partidos, movimentos cívicos e sindicatos, de eleições livres, de prisões, tortura, assassinatos, por delito de opinião. De impedimentos à circulação de pessoas e bens. Nunca, por nunca, aceitaria um regime, um Estado, uma sociedade, onde não pudesse dizer o que penso, que não pudesse criticar, dizer mal, ou eleger livremente os dirigentes.

Podem perguntar-me. Mas existe outra saída? Sim! A democracia, sempre! A confiança no povo. A força dos argumentos. O debate democrático. A boa assistência na saúde, os bons resultados na educação são, neste quadro, para mim, completamente irrelevantes, quando me faltam as liberdades básicas.

Pode haver socialismo sem direito de greve, sem respeito pelos direitos humanos, socialismo com pena de morte?

sábado, 27 de dezembro de 2008

"Ó médico das almas diz-me em que combate combater"


Correspondendo a um convite aceitei colaborar com o blogue colectivo O Libertário, tendo hoje dado início à minha participação, com um post de apresentação. Embora o nome nos remeta para o anarquismo e a maioria dos seus elementos, creio, se identifiquem com o ideal anarquista, o blogue assume-se como um espaço de opinião livre e independente, com um objectivo central: denunciar e combater a globalização neo-liberal e o capitalismo selvagem e todas as formas de opressão e exploração, numa perspectiva da soberania popular.

Embora, por uma questão de simplificação, não há muito tempo, me tenha definido, como um anarca-comunista, (mesmo não conhecendo a raíz do nome e pressupostos ideológicos -que até considerei contraditórios) na verdade em termos ideológicos, não sou capaz, nem sequer estou interessado, de encontrar uma caracterização ideológica, para a minha forma de ver e estar em sociedade. A experiência da vida, ensinou-me a ser comedido nas apreciações e pragmático nas soluções; a medir as pessoas pelo que fazem, em concreto e menos ao que afirmam ser; a respeitar as opiniões e as divergências; a ser exigente e intransigente perante as injustiças, as desigualdade, o desrespeito e a indignidade com os direitos humanos. O meu ideal utópico seria, se fosse possível, cumprir o ideal marxista: "de cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades". A partir de agora, portanto, de vez em quando, vou postando umas coisas por aqui.
 

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