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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Semelhança

Num gesto de enfado,
deito fora o cigarro meio fumado.
No chão se irá queimando
até que se consuma...

Nós somos, também, cigarro fumegando
-a Vida é que nos fuma!...

Alfredo Reguengo, 14 de Agosto de 1963

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A manifestação "pelas liberdades": uma iniciativa que serve a estratégia de vitimização de Sócrates

A minha opinião sobre Sócrates é conhecida: acho-o um presunçoso, um mau carácter, alguém que lida mal com a verdade, com a critica, com os compromissos. Um deslumbrado pelo poder, arrogante e autoritário, mesmo "ameaçador" para quem dele discorda.

Sócrates, tem visto o seu nome envolvido em inúmeros casos, todos eles degradantes do sistema político democrático, da classe política e da própria imagem do país, enquanto Primeiro-ministro. O direito à presunção de inocência é sagrado. Mas as suspeitas existem e Sócrates não as sabe lidar com elevação. Pelo contrário, dispara em todas as direcções. Contudo, argumente como argumentar, as suspeitas em alguns casos são muito fortes, nalguns casos, confrontam-o mesmo com crimes graves contra o Estado de Direito que nenhuma ilegalidade formal pode esconder e com as suas mentiras.

Uma coisa são as formalidades, os cirúrgicos segredos de justiça desvendados, as escutas ilegais ... ou não, os ouvidos afinadas em conversas particulares, o jornalismo de buraco de fechadura. Inaceitáveis, talvez. Impróprios, provavelmente. "Ao homem", certamente.

Mas, nada, mesmo nada, pode inabilitar o que foi ouvido, o que foi visto, o que foi escutado: do que importa, obviamente ... expurgando as referências pessoais que não interessem. O caso TVI é grave! A revelação pública do despacho do Juiz de Aveiro, trazido à luz pelo Sol e Correio da Manhã são demasiados graves para serem ignorados. Os indícios de uma conspiração planeada, envolvendo pessoas estrategicamente colocadas em pontos-chave, visando "apagar" um órgão de comunicação "hostil", afastar jornalistas e programas, devem ser investigados até ao fim! Estão em causa, princípios de um Estado democrático: a liberdade de imprensa e a liberdade de opinião! E estão em causa abusos de autoridade, de poder, de influências que põem em causa os alicerces de um Estado de Direito, como refere o Juiz de Aveiro e que não foram tidos em conta pelo Procurador e pelo Juiz do Supremo o que faz temer, igualmente, pela independência e o equilíbrio dos poderes.

Rigor, verdade, responsabilidade, ética, integridade, transparência, são princípios de um Estado democrático e dos agentes políticos que andam pelas ruas da amargura e que já ninguém parece acreditar, lamentável e perigosamente.

Por fim e porque está anunciada uma manifestação "pelas liberdade" e a correr uma petição no mesmo sentido, uma opinião em duas ou três linhas. Não concordo com a manifestação! Porque na sua génese, não está a defesa das liberdade em concreto - liberdades que alguns dos promotores, pessoas de direita e apoiantes de políticas restritivas nas mesmas posições e nas mesmas circunstâncias, fariam de igual modo, estou convicto -, porque, embora graves, não me parecem estar em causa as liberdades, mas apenas tentações de uma pessoa e acólitos, sem possibilidade de vingar, porque ainda acabam por favorecer Sócrates na sua estratégia de vitimização. Penso que neste momento é importante o relato nos média, a intervenção acutilante na blogosfera e também a criação da comissão de inquérito na Assembleia da República.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Petição pela salvaguarda do complexo das Sete Fontes



A defesa do complexo das Sete Fontes em Braga contra a pressão urbanística e a ameaça de atravessamento de um ou mais viadutos de acesso ao novo Hospital Central de Braga, mobilizou um grupo de cidadãs e cidadãos de Braga, em torno de uma petição a enviar a diversas entidades com responsabilidade na gestão e protecção daquele importante património único, relevante obra de engenharia hidráulica datado do século XVIII, classificado como Monumento Nacional e em vias de ser integrado na Zona Especial de Protecção, no seguimento das denúncias de inúmeras associações de defesa do património e do ambiente, forças políticas, da comunicação social e da população em geral.

Tendo chegado ao meu conhecimento esta petição, associando-me à iniciativa e aos seus objectivos, convido todos os meus amigos e amigas, leitores habituais ou ocasionais do in coerências a assinar esta petição, sendo que só a capacidade de mobilização popular poderá impedir este atentado ao património cultural e preservar a memória de um passado valioso que urge dar vida, restaurando e requalificando todo aquele espaço.

Para ler e assinar a petição clique em cima desta linha. Depois, divulgue o mais possível. Os promotores da iniciativa, em nome da preservação do património arqueológico e ambiental, agradecem.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Haiti - Contribua



Entidade -  20909;  Referência - 909909909 (pagamento de serviços)
ou através do NIB: 0007 001 500 400 000 00672

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um forrobodó! Há que pôr termo a estas vergonhas


Uma empresa com maioria de capital do Estado remunera 5 gestores executivos, em prémios de gestão, com mais de 1,4 milhões de euros. Ainda segundo o Correio da Manhã, fazendo referência ao relatório de Governo Societário do Grupo REN, no ano de 2008, os administradores executivos, incluindo gestores de outras sociedades participadas, receberam em remunerações fixas e variáveis um total de 3,27 milhões de euros. Lembre-se que o Presidente da REN o militante socialista José Penedos, foi reconduzido no cargo pelo actual Governo. Será que o Governo, em nome dos interesses do Estado, não vai intervir?

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Fome

Em 2008, os quinze Bancos Alimentares contra a Fome em Portugal distribuíram 17.500 toneladas de alimentos (num valor estimado de 26,2 milhões de euros) a mais de 1.600 instituições de solidariedade social, que reencaminharam estes donativos a 250 mil pessoas comprovadamente carenciadas. Entre elas, a presidente da organização, Isabel Jonet, destaca o milhão de idosos que vive com cerca de 300 euros por mês. Mais palavras para quê? Este fim-de-semana há uma campanha de recolha.

(do Jornal OJE de 27 de Maio de 2009)

Sim! Mais palavras para quê? Isto diz tudo sobre a sociedade que andamos a construir. Uma corja os nossos líderes!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O 1º de Maio. "Lutas velhas canto novo..."

O 25 de Abril é festa, alegria, celebração. O 1º de Maio é luta, protesto, reivindicação. No 25 de Abril cabem todos ("cravo vermelho ao peito/ a muitos fica bem/ sobretudo faz jeito/ a certos filhos da mãe") os democratas. O 1º de Maio é sobretudo dos trabalhadores. No 25 de Abril não fica bem contestar contendores políticos (aconteceu com dirigentes do PS). O 25 de Abril é sobretudo liberdade e democracia. Mas no 1º de Maio fica muito bem. Assobiar, insultar, combater politicamente: o governo, os patrões, os partidos, todos quantos escolhem ficar do lado dos poderosos, contra os direitos e as reivindicações legitimas dos trabalhadores e do povo mais sofrido. "Ontem" celebrou-se Abril. Amanhã comemora-se o dia em que os trabalhadores, em 1886, em Chicago, encheram as ruas pela primeira vez (alguns dos quais foram mortos por esta causa) a reivindicar a redução da jornada de trabalho para as 8 horas diárias. Em Portugal (na maior parte das cidades, pelo menos -e de há muitos anos)os sindicatos cumprem um ritual. Um ritual que vale tanto ou menos que outros rituais: um dia feriado apenas. E venham os ranchos folclóricos, as provas desportivas e o comício do costume. Comigo não contam. O meu 1º de Maio este ano vai ser passado a ouvir Pedro Barroso, mais depois à noitinha, em Ponte de Lima, no Teatro Diogo Bernardes, sem ter nada a ver com as comemorações. Provavelmente, apesar deste espectáculo se integrar nos seus 40 anos de carreira, não vou ouvir "lutas velhas/ canto novo/ que a resistência do Povo/ também se faz a cantar/" mas que é verdade é, ainda hoje. Que o diga José Mário Branco, principalmente.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Indecências

Os níveis de desemprego são muito preocupantes. A inscrição de 70 334 novos desempregados em Janeiro nos centros de emprego é a imagem da dimensão da angústia que afecta centenas de milhares de famílias. Quando em Dezembro, um Sócrates farsola, arrogante, depreciava os números de desemprego, abaixo das previsões (números enganadores, mascarados pela “saída” meramente estatística de desempregados em formação profissional), estava a exercitar o discurso mentiroso, com que vem apunhalando os portugueses mais desprotegidos, mostrando aquilo que é verdadeiramente; uma pessoa falsa e de uma insensibilidade social arrepiante.

Como se não bastasse tem recusado todas as propostas da oposição que pretendem atenuar as dificuldades das famílias mais pobres e atingidas pelo drama do desemprego: dilatando a concessão do subsidio de desemprego de longa duração; atribuindo-o a desempregados do trabalho precário; diminuindo o tempo de trabalho efectivo para ter direito aos subsidio; “suspendendo” as prestações de empréstimos de habitação que resultaram de despedimentos; renegociando Spread’s; impedindo o desemprego em empresas cotadas na bolsa; nas que tiveram lucros; nas que receberam apoios estatais, etc, etc.

Mas a juntar a um governo que desde cedo mostrou as suas prioridades: atacar os direitos sociais e laborais dos trabalhadores, as reformas dos idosos, os portugueses que atravessavam mais dificuldades; para combater o défice das contas públicas, cuja responsabilidade é deles próprios, das suas incompetências e da ladroagem na gestão da coisa pública, ao longo dos anos de democracia, em seu favor e dos amigos e compadres, temos um patronato, na sua maioria, ganancioso, sem escrúpulos, sem humanidade e incompetente.

Um jornalista do Diário de Negócios a propósito do generoso “perdão” de uma dívida da Cimpor de 62 milhões de euros dizia que “…há acções que, de tão escandalosas, nos deviam alertar para a ideologia que nunca caduca: a da decência e da vergonha na cara.”. Tem toda a razão. Como tem toda a razão o Presidente do grupo Jerónimo Amorim quando afirma:

Perante a crise, primeiro lançaria mão das reservas financeiras (uma reserva dos lucros de anos anteriores), segurando-se com um tempo de prejuízos; depois deixaria de pagar dividendos; em terceiro lugar diminuiria os salários dos administradores e quadros do grupo; em quarto lugar, se tudo isto não chegasse, negociaria com os trabalhadores a redução do horário do trabalho e só no fim, no fim mesmo, se os prejuízos fossem insustentáveis, poderia avançar com os despedimentos (da crónica de Miguel Sousa Tavares no Expresso).

Diferenças marcantes!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Um novo sindicalismo para os novos tempos

Um artigo de António Chora, coordenador da Comissão de Trabalhadores de Trabalhadores da Auto-Europa, propõe uma nova abordagem sindical em tempos de crise económica e num mundo em permanente transformação. Podendo algumas das ideias ser consideradas, como cedências, são em minha opinião, adequadas quando mudaram, as profissões, os processos de trabalho, os modos de produção, mudaram as indústrias e os negócios, enfim.

Hoje o trabalho está marcado pela precariedade, ameaças de despedimento, o trabalho desregulado, cargas de trabalho intensas, pressão dos resultados, muito associados à polivalência, à flexibilidade, à mobilidade geográfica, a relações de trabalho descompensadas. E se isto já era assim, com uma crise económica a afectar de forma significativa muitas empresas, com dificuldades em colocar no mercado a sua produção ou serviços, os trabalhadores são confrontados com novos e mais delicados problemas, o pior dos quais o espectro do encerramento das empresas e consequentes despedimentos.

Neste novo contexto, exige-se aos sindicalistas, formas de intervenção inteligentes e responsáveis, encarando de frente os novos tempos e as novas exigências profissionais, sem que isso signifique o abdicar dos alicerces dos direitos laborais e muito menos perda de dignidade pessoal e profissional, mas que possa conciliar interesses diferentes, em situações que tem de mesmo de ser, para que o desejado melhor, não venha a tornar-se o pior dos males. Os muitos falados e vilipendiados, especialmente pelo PCP, acordos colectivos na Auto-Europa, são bons exemplos em como, com mestria e inteligência, é possível fazer bons acordos, preservar direitos e negociar contrapartidas futuras, em ambientes económicos difíceis e complexos. O contraste com o sucedido na OPEL da Azambuja é elucidativo: de um lado um sindicalismo focado unicamente nos verdadeiros interesses dos trabalhadores, tem obtido resultados, no outro marcado por agendas e calendários partidários, com formas de luta desajustadas, extemporâneas e inconsequentes, deitaram tudo a perder.

Aproveitando o ensejo deixo-vos uma reflexão minha de sensivelmente há dois anos.

A actividade sindical quase não existe, em Portugal. Uns poucos, muito poucos, trabalhadores, de vez em quando, participam em algumas reuniões, nas cada vez menos reuniões, que os sindicatos promovem. Ainda assim, os que participam, na sua maioria, só lá vão, quando se sentem ameaçados nos seus direitos mais fundamentais. Eu percebo-os. Assoma sobre eles o medo. O medo das represálias, o medo da pressão, o medo de conotação, o medo de não renovarem o contrato, o medo de perder o emprego.

Predomina, igualmente, a ideia de que estas reuniões não adiantam nada, os discursos são palavreado repetido e de circunstância, reiteradamente ouvidos, sem consequências práticas, cantando vitórias inexistentes ou esboçando perigos iminentes, para por fim, fazerem uma declaração de guerra e serem convocados para jogos políticos de encomenda. É assim, tem sido assim. Os sindicatos não vão aos locais de trabalho, não conversam com os trabalhadores, não os percebem, não os ouvem, não entendem os seus problemas e receios. Aparecem para distribuir uns comunicados, muito radicais na linguagem, mas nada eficazes, na explicação dos problemas, na dinamização activa.

É preciso o esclarecimento personalizado, pequenas reuniões, conversa a sós ou em grupo, no local de trabalho, nas pausas, nos gabinetes, nas oficinas, nos grandes espaços físicos, é preciso ir para a rua, fazer comunicados à população, colocar tarjas, recorrer à imprensa, sensibilizar as pessoas para as suas causas. É preciso acabar com as greves, nas vésperas de feriados, nas pontes, no dia dos exames. Hoje ao contrário doutros tempos é preciso estar atento às pessoas, conquistá-las, e não prejudicando-as deliberada e quase ostensivamente, porque até dá um certo jeito pessoal. Não! Isso é ganhar inimigos, é dar argumentos aos populistas. É dar-lhes a oportunidade de denegrir uma luta.

A decisão da luta tem de ser discutida, consensualizada, abrangente. Fazer greve, encontrar novas formas de protesto, mobilizar os jovens e as populações, fazendo convergir descontentamentos, são caminhos a serem encetados. A maioria dos sindicalistas ou estão nos gabinetes sindicais ou nas sedes “ a tempo inteiro”, em viagens ao estrangeiro ou de vez em quando a organizarem uma acção de acordo com a agenda política do partido ou da central sindical a que estão afectos. Por isso certas acções de luta ou algumas comemorações como o primeiro de Maio, não passam de rituais. A maioria dos sindicalistas, dirigentes sindicais, dirigentes das estruturas intermédias, as uniões sindicais, ou dirigentes nacionais, estão desacreditados, institucionalizados, rendidos, acomodados, alguns estarão mesmos “vendidos”. Hoje na sua maioria são uns burocratas para ocasiões festivas, para cumprir papéis partidários. Uma vez ou outra fazem uma ou outra acção conjuntural para mostrarem que existem. E lá estão sempre os mesmos: Os dirigentes de sempre, os delegados sindicais de sempre, os funcionários do partido de sempre, e os trabalhadores, carne para canhão de sempre. E os ingénuos de sempre. É esta a mobilização que conseguem. Os mesmos de sempre. E há outros que não querem ficar de fora e conscientemente alinham em algumas destas iniciativas, para não desbaratarem um capital de unidade e luta.

Alguma coisa tem de ser feita. Assim é uma tristeza. Um dia destes, a continuara assim, nem com os trabalhadores de sempre, nem com os que alinham sempre, para não criar divisões, se pode contar. Ficam só os burocratas sindicais ou os burocratas do partido. A verdade é que a maioria de nós, sindicalistas e activistas, também, pouco fazemos para mudar. Sabemos que não é fácil, a máquina está “fechada” para nela ninguém entrar. Mas vai faltando participação, exigência, esforço para mudar, falta determinação para o combate.

E quem quer ser sindicalista hoje? Quem é activista sindical? Quem quer ser dirigente sindical? E quem estando interessado, conseguirá entrar num universo que está interdito a outras vozes e pensamentos? O cerco da máquina partidária ou sindical abafa tudo. É uma tristeza e lamentável.

Hoje a carreira profissional está primeiro. O egoísmo está primeiro, O individualismo está primeiro. Mas tudo poderia ser diferente se o processo de renovação se desse pacifica e livremente, sem interferência politica e partidárias, sem querer controlar a máquina, escolhendo os mais preparados, os mais disponíveis em cada momento e por períodos curtos. Os trabalhadores só tinham a ganhar!


Termino com António Chora: “…infelizmente, milhares de pequenas e médias empresas irão fechar, dezenas de milhares de trabalhadores irão conhecer o desemprego, provavelmente muitas empresas irão encetar processos de fusão, surgirão novas e mais sofisticadas tecnologias, uma outra globalização deve nascer, novas organizações do trabalho e profissões nascerão, e se os Sindicatos não se adaptarem, não se democratizarem, permitindo a participação de todos os trabalhadores, promovendo eleições proporcionais tais como nas Comissões de Trabalhadores, e se não optarem por defender verdadeiramente os Trabalhadores que representam, em prejuízo de falsas opções de classe e ligações partidárias, correm sérios riscos de desaparecerem por falta de credibilidade, logo de sindicalizados. Alguns anti-sindicalistas esfregarão as mãos da alegria se tal acontecer, neste momento já riem do sufoco económico a que os Sindicatos se deixaram chegar, é no entanto uma obrigação de todos os que defendem um sindicalismo ao serviço dos trabalhadores, lutar para que tal não aconteça, lutar para que das cinzas desta crise nasça um sindicalismo sem amarras, um sindicalismo aos serviço de todos os Trabalhadores, um sindicalismo mais de acção do que de reacção".

domingo, 21 de dezembro de 2008

Apaga a luz!

Eu não tenho jeito nenhum para a poesia. Também não conheço as regras, a métrica, contar e combinar as sílabas, os sons, a rima. Mesmo assim e a pedido, escrevi um poema que a minha querida amiga Helena me fez lembrar aqui há uns dias. Depois fiz mais uns outros. Pedindo perdão pela falta de jeito, nesta quadra, apetece-me lembrar e pegar num desses poemas, escrito, precisamente em Dezembro de 2005. Foi o meu segundo. E poucos mais se seguiram, estejam descansados.

Apaga a Luz

Vem!
Vamos.
Eu quero ir.
Anda.
Vem mesmo assim!
Deixa tudo.
É só uns tempos.
Tu precisas de ir!
Eu quero ir.

Vamos os dois!

Anda conhecer o mundo.
O mundo do outro lado!
Vá!
Anda.
Ao outro lado
Comigo!
Vem!
Vem ver como é
O outro lado!

Não faças de conta
Que não é contigo!
É contigo
é comigo
É com todos!
Vem!
Vem mesmo assim
Eles não são de cerimónias.
Retira só o casaco
Da indiferença.
Vem ver o lado dos que sofrem!
Viste? Pronto!

Agora, deixa-me só!
Deixa-me comigo.
Deixa-me esquecer que existo.
Deixa-me esquecer que estou vivo.
Deixa-me com a minha vergonha!
Isto passa…
Amanhã é outro dia.
Amanhã…
Já estamos do lado de lá.
Podes começar a vestir o casaco
Amanhã é tudo igual.
Tu não viste.
Eu não ouvi.
Nós não vimos nada de mal
Nós vamos continuar a fingir
Nós vamos continuar a mentir!

Cambada de cobardes!
Puta que nos pariu!

Apaga a luz
E deixa-me só!
Já te disse.
Foda-se!
Eu quero ficar só
Ouviste!
Apaga essa merda
Caralho!
 

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