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quinta-feira, 25 de março de 2010

Ainda sobre o pedido de uma Convenção extraordinária do Bloco

João Pedro Freire,
Este teu texto merece a minha genérica concordância.

Não concordo contudo que deva ser uma Convenção extraordinária a decidir o apoio ao candidato presidencial.

A legitimidade da Mesa Nacional para decidir que candidato parece-me inquestionável. Se a decisão da convenção indiciava um apoio a Alegre, nessa linha, a Mesa Nacional respeitou a opção tomada, dentro das suas competências, como tem aliás sido prática. Decisão que eu discordo, como já disse várias vezes, mas legitima.

Mas, concordo, não tinha contudo de a tomar neste sentido. Se a interpretasse, como eu, como tu, como muitos de nós, que a "candidatura presidencial da convergência mais ampla possível para a luta política da esquerda..." não é a candidatura de Manuel Alegre.

Mas ao mesmo tempo, sendo intelectualmente sério, parece-me não restar dúvidas que era para Alegre que a decisão da Convenção apontava.

Em minha opinião, apesar disso, Louçã, não deveria publicamente dar como assente o apoio à candidatura de Alegre, antes da Mesa Nacional se pronunciar. Ditam as boas regras de um partido que deveria fazer da participação militante a base para construir as suas decisões.

Mesmo considerando "líquido" o apoio a Alegre, a Comissão Política, deveria ter promovido uma discussão por toda a organização, antes de tomar a decisão definitiva, sobre as razões desse apoio e a estratégia que lhe está subjacente, para sentir o pulsar dos militantes, ouvir os aderentes e simpatizantes, os que pensam que Alegre não é o melhor candidato, pesar as novas circunstâncias (a participação de Alegre no comício de Coimbra e o apoio ao PS nas legislativas, a possibilidade de outras candidaturas, como a de Fernando Nobre).

Em vez disso, preferiu seguir a estratégia, que reconheço legítima (e que não sei muito bem qual é - mas não me parece que seja de um apoio "desinteressado"... talvez visando criar fracturas fortes no PS para juntar mais esquerda à esquerda), e que remonta aos "encontros das esquerdas” com Alegre.

Já o disse e insisto. Uma Convenção extraordinária aparece aos meus olhos (apesar de legitima) como um factor de fragilização do Bloco e de contestação aos dirigentes por linhas tortas, da contestação para aparecer, desculpa-me a franqueza e a opinião. E isso não é bom, nem para um processo de implantação e credibilização do Bloco, nem para quem usa destes artifícios: Nunca até agora o apoio a um candidato se deu em Convenção. A Convenção traçou uma estratégia e o perfil, como lhe competia (não podia ser de outro modo a tão longa distância) e a Mesa Nacional no uso das suas competências, escolheu o nome (creio não exagerar se disser que era o que toda a gente previa) que considerou encaixar nas decisões.

Concordemos ou não e eu não concordo. E, como alguém disse, não tendo que haver “intervalos” na discussão e nas discordâncias, manda o bom senso que não se valorizem diferenças de entendimento, de forma desproporcionada.

O que me parecia correcto era a exigência de um (novo) debate, correndo toda a organização, para debater em concreto as presidenciais, os nomes, o que se pretende destas eleições, quais os candidatos e a estratégia que se afiguram mais concordantes com os princípios e os objectivos do Bloco, em linha com os pressupostos de uma nova esquerda, grande, abrangente, socialista que o Bloco quer construir e fazer parte. Tudo assim era mais claro e coerente: a possibilidade de a Mesa Nacional mudar de posição face a um novo entendimento das circunstâncias e não forçada por uma decisão dos militantes … contra a direcção política, mais a mais, quando a decisão se deu no respeito das competências e na forma habitual.

Fica registada a minha opinião … franca. Um abraço.

sábado, 13 de março de 2010

Militantes do Bloco pedem Convenção extraordinária


Um grupo de militantes do Bloco de Esquerda, animado pelas correntes minoritárias, está a promover uma recolha de assinaturas para uma Convenção Nacional Extraordinária, "quando existem mais que uma candidatura na área de influência do Bloco e diferentes interpretações sobre a deliberação da Convenção" para "alargar o debate interno a toda a estrutura sobre as presidenciais", transferindo assim a decisão concreta sobre o nome para o órgão máximo deliberativo do Bloco.

Como sabem não apoio a candidatura de Manuel Alegre. O meu candidato é Fernando Nobre pese as diferenças programáticas/ideológicas. Para esta decisão pesou o perfil que entendo necessário para a função e tendo em conta as competências do cargo: um humanista, um militante da cidadania exigente, uma figura de uma sensibilidade social do tamanho do mundo, uma voz activa e firme contra as desigualdades e as injustiças nos vários domínios das sociedades, alguém intocável do ponto de vista ético e, também um candidato com possibilidades de vencer, capaz de despertar uma consciência cívica de exigência, rigor e responsabilidade pública. É isto que espero do “meu” Presidente da República.

Noutro contexto obviamente apoiaria um candidato da minha área “ideológica”, um Carvalho da Silva por exemplo, se aparecesse desligado do aparelho partidário e com uma dinâmica de “unir as esquerdas”.

Voltando à petição dos bloquistas que preconizam uma Convenção Extraordinária. Tal como a Comissão Política também a considero um erro e uma irresponsabilidade. Mesmo discordando da decisão da Mesa Nacional a decisão de apoiar Alegre é legitima. A inclusão do ponto sobre as presidenciais nas teses da lista maioritária, como aliás foi abundantemente referida, foi uma declaração antecipada de um apoio a uma eventual recandidatura de Manuel Alegre. Discorde-se ou não daquela posição (e eu discordava) a mesma foi interpretada, diria que por todos, como um apoio a Alegre. Não me parece intelectualmente sério pois esgrimir com “diferentes interpretações” sobre o ponto aprovado. “O Bloco de Esquerda defenderá a necessidade de uma candidatura presidencial da convergência mais ampla possível para a luta política da esquerda, sem prejuízo da possibilidade de apoiar uma candidatura da sua área política no caso em que essa alternativa não se concretize”.

Dito isto, e independentemente da deliberação da Convenção “sugerir” o apoio à candidatura de Alegre (que repito discordava), face à evolução das posições de Alegre, dando um apoio claro a Sócrates nas legislativas (participando mesmo num comício), dizer que em minha opinião, deveria ser incentivado o retomar do debate, de forma serena e leal, longe dos focos, centrando-o exclusivamente nas presidenciais, colhendo o pulsar dos militantes sobre este tema controverso.

Por fim uma primeira reafirmação: a pluralidade de opiniões, as divergências saudáveis, o respeito pelas diferenças, neste espaço da esquerda que o Bloco reclama são inevitáveis e simultaneamente enriquecedoras num projecto em que os homens e mulheres de esquerda, se quiseram que seja triunfante, precisam de se encontrar, procurar pontes, conversar, concertar políticas de unidade, definir projectos políticos, unir-se em torno de programas mínimos, afinando-os, refinando-os, para paulatinamente construir uma alternativa séria de poder. Um novo partido de esquerda. E que as rupturas serão inevitáveis neste processo. E a segunda reafirmação: a não concordância com a existência organizada de tendências. O Bloco não é uma federação de partidos. As organizações de tendências propendem a acantonarem-se a posições fixas, a funcionarem com espírito de grupo, vanguardistas e sectárias, pouco disponíveis para aceitar as posições contrárias.

Como aderente do Bloco (de base e sem actividade militante evidente), em minha opinião e independentemente do exercício de um direito dos proponentes, não posso concordar com a organização de uma Convenção extraordinária que coloca em causa uma decisão legítima dos órgãos competentes; a da última Convenção que determinou a estratégia e da Mesa Nacional que aprovou o nome de Manuel Alegre, transmitindo ao mesmo tempo uma imagem errada e negativa do funcionamento do Partido.

Reafirmo o que disse mais acima. Uma Convenção extraordinária seria errada, irresponsável, ininteligível aos olhos dos simpatizantes e eleitores e colocaria em causa decisões legítima dos dirigentes. Errada porque a decisão foi tomada conforme as competências estatutárias. Irresponsável porque não olha aos interesses superiores da organização, na problemática de umas eleições presidências, qualquer que fosse a decisão. Inexplicável porque as eleições são unipessoais e não comprometem necessariamente os partidos políticos.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Por uma Cuba livre, democrática e ... socialista já agora.


"há momentos na história dos países que tem de haver mártires. Eu estou disposto a morrer. Já é hora de que o mundo perceba que este governo é cruel."

Com estas palavras o jornalista dissidente cubano Guilherme Farinhas afirmava a vontade de honrar a morte de Orlando Zapata ao fim de 85 dias de greve de fome.

Ao mesmo tempo que Guilherme Farinhas acaba por ser hospitalizado de urgência ao fim de sete dias de greve de fome e sede, a diplomacia cubana defende-se dizendo que os dissidentes "são agentes pagos pelos Estados Unidos".

Não consigo perceber! Ser pago para oferecer a sua própria vida não me parece que seja um bom negócio. 

O regime de Cuba já não consegue encobrir que é um governo de tiranos. Já o afirmei em outras ocasiões e repito-o: "O bloqueio económico não legitima tudo: justifica pobreza, atrasos na modernidade. Não justifica desigualdades, falta de liberdades; de reunião, de expressão, de manifestação, de impedimentos à livre organização de partidos, movimentos cívicos e sindicatos, de eleições livres, de prisões, tortura, assassinatos, por delito de opinião. De impedimentos à circulação de pessoas e bens. Um regime, um Estado, uma sociedade, onde não é possível dizer o que se pensa, criticar, dizer mal, ou eleger livremente os dirigentes. Pode haver socialismo sem direito de greve, sem respeito pelos direitos humanos, socialismo com pena de morte?"

Assine aqui a petição pela libertação de todos os presos políticos em Cuba.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Socialismo, dizem eles.

Acabou por falecer ontem num hospital da capital cubana depois de 85 dias em greve de fome, Orlando Zapata Tamayo. Membro do Movimento Alternativa Republicana, estava preso desde 2003 com mais 74 pessoas e reclamava melhores condições prisionais. Segundo a Amnistia Internacional, Orlando Zapata, era um dos 65 prisioneiros de consciência. Trata-se de um assassinato virtual, premeditado", estimou Sanchez acusando as autoridades de terem demorado a oferecer cuidados ao dissidente, que havia sido transferido semana passada de Camaguey (centro), onde estava preso, para Havana.

Pois ... que venham os do costume dizer-me que Cuba é Socialista, se isto fosse o Socialismo eu nunca defenderia o Socialismo. Mas não, Cuba não tem (já) nada de Socialismo. É um regime ditatorial e desrespeitador dos mais elementares direitos humanos. Hei-de repetir-me sempre que for necessário e enquanto o regime castrista não cair.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Bloco: uma derrota autárquica que merece uma reflexão séria.


O Bloco tem o voto de protesto e o voto de mudança. O Bloco se quer fazer algo que valha a pena na vida das pessoas tem de fazer escolhas sérias. O Bloco nasceu para melhorar a vida concreta das pessoas. Juntar as esquerdas para uma alternativa de poder ao modelo neo-liberal. Esse caminho passa por conquistar a maioria social com uma nova forma de fazer política. Um caminho isento de partidarites, sectarismos, presunção. Unindo e não dividindo. Ser protesto mas ser alternativa. Ser oposição mas ser poder. Ser crítico mas ser colaborante. Também! O caminho passa por voltar às origens: construir na luta social, na denúncia das injustiças, na defesa dos direitos e do interesse público, na defesa da transparência dos actos executivos; um projecto de reunificação e reconfiguração das esquerdas, para uma nova esquerda, cuja maior ambição é construir uma sociedade que acabe com a pobreza, honre os trabalhadores e o trabalho, seja justa na distribuição.

Isso passa, por não desperdiçar nenhuma oportunidade de melhorar a vida das pessoas, dos sítios, do ambiente. Os eleitores do Bloco são muito particulares: apoiam o Bloco no combate político que faz a diferença, castigam o Bloco quando é igual aos outros. Nestas eleições autárquicas o Bloco foi muito igual aos outros em muitos sítios: Aparecer por aparecer. Colocar o partido acima dos interesses mais gerais. De dividir onde podia unir. Teve uma derrota merecida. Que aprenda a lição! Merece o Bloco, merecem os dirigentes que são pessoas empenhadas, merecem os militantes dedicados, merecemos nós (mereço eu) os que acreditamos no projecto.

Ps: um abraço ao Jorge Teixeira que merecia ser eleito.

sábado, 19 de setembro de 2009

Uma força que se mede pela incómodo que causa

De repente um pequeno partido, o Bloco de Esquerda, passou a estar no centro de todas as notícias. O seu programa eleitoral, as palavras dos seus dirigentes são esmiuçados de fio a pavio, circunstância estranha quando o partido apenas disputa uma maior representação parlamentar, para condicionar políticas de direita e afirmar uma alternativa, programática e de projecto político, a médio prazo. Não sendo previsível o Bloco de Esquerda ganhar as próximas eleições (logo o seu programa eleitoral não será o programa de Governo), que raio explica tanto nervosismo sobre o seu programa, relegando para segundo plano, os que presumia-se mais poderiam interessar discutir, por serem os que vão decidir as políticas na próxima legislatura, os do PS e do PSD.

Não deixa de ser curioso e terá uma explicação linear: o Bloco de Esquerda é já um projecto consistente. Uma verdadeira alternativa. Um projecto que está a despertar reflexões. A inflamar consciências. A convocar esperanças e forças. A reclamar justiça, direitos, respeito, uma vida decente e digna. A resgatar o verdadeiro significado da palavra Socialismo.

Tudo isto explica os ataques ferozes ao Bloco, às suas propostas e agora aos seus dirigentes. Começando pelas propostas: elas são públicas, estão publicadas em livro, estão disponíveis no site do Bloco, foram colocadas à discussão pública. E não foram colocadas para não serem lidas! A diferença que assusta é que elas são as propostas de um programa socialista. Um programa que reclama controlo público dos sectores estratégicos. O combate à evasão fiscal. Um sistema fiscal mais simples e transparente, com menos deduções e impostos mais baixos para quem trabalha. Pensões de aposentação dignas. Um trabalho com direitos. Justiça na economia. É isto que está em causa. É sobre isto que os portugueses se devem pronunciar. Não agitando fantasmas e papões e deixando a decisão sobre as alternativas à consciência livre dos eleitores. O ataque a alguns dirigentes do Bloco, como o do Expresso, este sábado, tentando-os descredibilizar com o caso dos PPR’s, prova que ou não perceberam nada das propostas do Bloco ou que são desonestos, proposição mais provável. Na linha, aliás, do que se passou com as deduções fiscais e das nacionalizações. Ler a explicação de Louçã.

Alguém o terá o dito: a força mede-se não pela demonstração da força mas pelo incómodo que causa. O Bloco parece-me estar no bom caminho. O caminho da redefinição do projecto e do apuramento ideológico.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Isto está a compor-se

Ana Gomes, eurodeputada do PS, defende uma coligação com o Bloco de Esquerda se o PS não obtiver a maioria absoluta. Fica bem esta posição a Ana Gomes, uma mulher que considero. Mas Ana Gomes tem de ter paciência. O Bloco e Francisco Louçã sempre foram muito claros nesta matéria: é impossível um acordo com este PS; um PS dos negócios sombrios, de retrocesso dos direitos laborais, do aumento da idade da reforma e diminuição das pensões, do aumento da precariedade, das prioridades trocadas, do Estado mínimo. Mude-se o PS e os acordos serão possíveis, quero crer. Louçã não se cansa de dizer que os votos de esquerda não faltarão nas políticas de esquerda. O que importa mesmo é fazer crescer as correntes da esquerda para forçar novas políticas.

O reforçar do Bloco é um aviso sério de que o país estará a mudar e que os portugueses, especialmente as pessoas de bem estão fartos deste regabofe em que para uns nunca falta nada e para a maioria "é só porrada e mal viver", para citar José Mário Branco.

A "revolução" pode estar à porta.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Isto vai amigos, isto vai!

Antes das eleições europeias, Sócrates e companhia, pensavam que as eleições legislativas seriam um passeio. Fiados nas fraquezas do PSD, a tradicional alternativa, e exibindo uma sobranceria grosseira com os outros partidos, do alto da sua absoluta arrogância, calcavam direitos, enxovalhavam todos; cegos e autistas para impor as suas políticas levaram tudo na frente, ao arrepio da convivência democrática, da negociação, do respeito, da dignidade das pessoas, dos direitos dos trabalhadores que dão o seu melhor, das famílias que exigem tempo, condições, tranquilidade para uma vida decente. O resultado das eleições europeias trouxe-os à terra. Apesar de a “alternância” à direita ser fraca e da alternativa à esquerda não ser clara, o PS teve a lição que merecia: a derrota. Estavam lançados os dados. Com as legislativas à porta o PS e Sócrates fizeram uma inflexão táctica. Moderou o discurso, a linguagem, a postura agressiva. Sócrates passou a ser delicado, doce e moderado nas observações sobre os adversários. Um estratagema para pessoas sem memória.

Mas há quem teime em não deixe cair o passado. Que o lembre todos os dias. Que lembre o código de trabalho. A retirada dos direitos sociais. Os negócios que beneficiam os amigos. As prioridades nas escolhas decisivas. A falta de rigor e transparência nas decisões executivas. E como isso incomoda, Sócrates e amigos.

O alvo agora é o Bloco. O Bloco é o horror! Uns radicais com propostas tenebrosas. Que querem acabar com a classe média. Suprimir os ricos. Retirar os benefícios fiscais. Nacionalizar os bancos, os seguros, a energia, oh horrores! São os jornais, as televisões, os comentadores políticos encartados, todos no mesmo tom. A imprensa que leva o Bloco ao colo onde está? Os comentadores que engraçam com o Bloco onde andam?

Tanta mentira! Tanto medo. Tanto incómodo. Tenham calma. A mentira montada sobre as propostas do Bloco podem criar dúvidas a alguns, atemorizar outros. Mas as propostas são públicas e claras. Foram discutidas na Internet. Estão na Internet. Foram publicadas em livro. E as que mais atemorizam são e foram afinal defendidas por figuras tão insuspeitas como Bagão Félix, Saldanha Sanchez e, imagine-se esse terrível esquerdista, deputado europeu pelo PS, Vital Moreira.

Tenham calma. Não será desta que o Bloco será Governo. Somos mais exigentes. Esta esquerda que não se rende ao neo-liberalismo, quer uma esquerda mais forte, uma nova força de esquerda se for o caso. Um grande partido da esquerda. Os tempos estão de feição.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Os puros nunca se misturam

Esquerda.Net - Os puros nunca se misturam

Uma opinião de João Teixeira Lopes que subscrevo e aconselho a leitura: para perceber algumas diferenças entre o PCP e o Bloco.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Militantes do PCP recusados nas listas autárquicas levam à auto-exclusão dos restantes

Já era conhecido nos círculos próximos. Agora penso já ser do domínio público: a direcção do PCP (regional ou nacional), depois de indicar Rui Viana como primeiro candidato à Câmara Municipal de Viana do Castelo e lhe ter dado "luz verde" para formar a sua equipa, assim como para a Assembleia Municipal, acabou por recusar os nomes que o acompanhariam, posto o que, Rui Viana e restantes elementos, recusaram de todo participarem na lista da CDU.

Ao que soube, Rui Viana tinha conseguido reunir uma excelente equipa à sua volta e tinha um trunfo muito forte como primeiro nome na Assembleia Municipal: o Dr. Alberto Midões, conhecido médico-cirurgião, em tempos Vereador da CDU, uma figura estimada na cidade, um valor que arrastaria consigo (como arrastou quando se candidatou a Vereador pela CDU já lá vão uns anos), um alargado grupo de pessoas de vários quadrantes políticos, não apenas pelas suas qualidades pessoais, mas, sobretudo, pela sua competência para o lugar, inteligência, experiência, capacidade de trabalho, homem de combates, e de uma honestidade a toda a prova.

Rui Viana acreditou no impossível no PCP: conseguir, antes de tudo, reunir à sua volta pessoas capazes e com "ligações" ao partido, ainda que críticos e alguns, agora, creio, apenas militantes por razões afectivas. Seria fazer a quadratura do círculo. No PCP não à margem para quem, mesmo sendo militante, mesmo tendo um passado de dedicação, de serviço ao partido, "um dia", questionou, interrogou, teve dúvidas (ou certezas), ousou manifestar internamente as suas preocupações e críticas. Apenas posso lamentar: porque conheço razoavelmente bem Rui Viana da militância política e partidária (fazendo caminhos paralelos) e doutras actividades cívicas em que está envolvido, mas sobretudo nos últimos tempos, enquanto deputado municipal pela CDU (eu pelo Bloco), como um dos melhores (muito melhor que eu) e dos mais activos dos seus membros.

É assim o PCP: não tem remédio.

sábado, 25 de julho de 2009

Sócrates um traficante político. Joana Amaral Dias um bom exemplo.

Ponto de partida: o Bloco de Esquerda é o meu partido. Melhor dito: o Bloco é o partido que apoio, com que colaboro, em quem votei em todas as eleições, de quem fui deputado municipal e dirigente. Clarificando: quando disse melhor dito quero significar que os partidos são para mim, apenas, instrumentos da luta política. Não sou de ninguém nem nada é meu. Empresto-me e espero empréstimos. Desculpem-me a filosofia barata. Esta inserção serve para dizer que penso ter o distanciamento suficiente para observar os factos políticos, as questões partidárias, as ideologias, as coisas da vida, sem amarras e por isso livres, apenas comprometido com a minha consciência, uma consciência que não pesa, nos valores, nas amizades, nas considerações pessoais, na solidariedade.

Depois de muitos anos de intervenção política e partidária e de um tempo igual de afastamento (neste lapso mais ligado à actividade associativa, ao sindicalismo, à carreira profissional), acreditei num novo projecto político há dez anos atrás: um projecto de reunificação das esquerdas, à esquerda do PS, de um PS rendido às políticas neo-liberais e esquecido das pessoas, da justiça social, da dignidade do ser humano mais frágil, mais exposto, mais pobre. Um projecto a ser construído no dia a dia, lado a lado com as lutas, todas as lutas, desta gente esquecida, ignorada, abandonada, desprezada. Um projecto sem preconceitos ideológicos, sem certezas, sem ideias feitas, onde a política e a ideologia se moldaria nas lutas populares, se inspiraria na irreverência dos jovens, na sabedoria dos mais idosos, na inteligência dos trabalhadores, neste novo tempo das liberdades, da modernidade e das tecnologias. Contra o centrão dos interesses. Por uma esquerda moderna. Uma esquerda de confiança. Por uma sociedade social e economicamente mais justa, sobretudo respeitadora da dignidade das pessoas

Ponto intermédio: hoje politica e ideologicamente não sei o que sou depois de ter sido no passado, comunista, marxista, leninista, maoista. Agora sou pouco dado a ismos e istas. Sem complexos e sem fantasmas. Mas se quisesse colar um rótulo diria que sou uma espécie de anarca-comunista ou socialista libertário. O que sei que sou, decididamente, é uma pessoa de esquerda, uma pessoa de causas e valores, alguém que se preocupa e luta contra as desigualdades, a injustiça, a indignidade.

Ponto final: nestas eleições vou continuar a votar no Bloco de Esquerda. Não confio nos partidos e nos políticos do “Centro Político”. Não acredito em regenerações do PS à esquerda. Os partidos do impropriamente chamado “arco da governabilidade” são os partidos dos interesses, do oportunismo, do clientelismo, dos favores aos ricos e poderosos. Nunca o interesse público, os trabalhadores, os mais pobres, os desfavorecidos, os mais frágeis, serão a sua angústia, a razão primeira das suas preocupações e prioridades. Resta-me o PCP ou o Bloco. Não será o PCP porque discordo da sua visão do mundo, da sua posição sobre a Europa, do seu patriotismo tonto, de um conservadorismo político e ideológico, da sua postura vanguardista, sectarismo e finalmente do seu modelo de sociedade ou dos países que lhe servem de referência. O meu voto é no Bloco de Esquerda pelo projecto, pelas propostas, pelo programa, pela forma e conteúdo do combate político, pela capacidade e competência dos seus principais dirigentes.

Post scriptum: o PS de Sócrates tentou "pescar" Joana Amaral Dias para as suas listas de deputados. Ofereceu-lhe também um lugar de chefia num Instituto Público. Joana Amaral Dias recusou ambos os lugares resistindo às mordomias. Mostrou ser digna e de confiança. Os bloquistas que tanto nela bateram quando esta se mostrou desgostosa por ter sido afastada da Mesa Nacional bem podem agora morder a língua. Esteve bem agora Francisco Louçã ao lançar-lhe um elogio público. Ser do Bloco não é ser "bloquista". Ser do Bloco é ser fiel às suas convicções e ao seu projecto inicial. Já o referi aqui: alguns militantes do Bloco estão a perder humildade, a ganhar sectarismo (por via do seu crescimento) e a sofrer de uma doença muito típica dos grupos de antigamente: a partidarite. Sobre esta investida de Sócrates o pior da política e da pessoa: a falta de vergonha, a traficância política, enfim o PS e Sócrates no seu melhor.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Costa ou Santana? Terá de ser assim?

Não é indiferente ser Santana Lopes ou António Costa o próximo presidente da Câmara de Lisboa. Santana Lopes é um político trapalhão, inconsequente, leviano. Não tem projectos consistentes em nada, move-se por vaidades e impulsos, elegendo uma obra espaventosa para deixar a sua marca, sem olhar á utilidade, aos seus custos, às prioridades. Quem vier atrás depois que pague a conta ou feche a porta é o seu lema. É por demais conhecida também, a forma leviana, negligente e irresponsável como gere as relações pessoais e os negócios, como se deixa enredar, mesmo que sem dar por isso, quero acreditar, em teias de interesses. Com ele, ganharam os amigos, ganharam os trafulhas, ganharam os chicos-espertos e perdeu a cidade e os munícipes.

Com António Costa há diferenças. Mais político, mais astuto, com outras ambições políticas, aposta em deixar uma boa imagem, em apresentar resultados para memória futura … à esquerda. Por outro lado, agarrado a “prometimentos” passados, a “comprometimentos” de esquerda, por via das movimentações políticas de organizações e pessoas, por acordos com o grupo de Sá Fernandes e possivelmente de Helena Roseta, é razoável admitir, uma ideia e um projecto, minimamente consistente para a cidade. Bastaria isto, pois, para dizer que não é indiferente ser António Costa ou Santana Lopes o próximo presidente da Câmara de Lisboa.

Mas sobram outras razões para análise a que uma pessoa de esquerda, especialmente, não pode deixar de ter em conta, para decidir o seu voto ou votar em António Costa:

a) Em primeiro lugar não violentar a nossa consciência e não embarcar na chantagem do voto útil, o que passa por entregar o nosso voto, sempre, a quem, em nossa opinião, o merece de facto, seja por melhor identificação com os protagonistas, por uma maior concordância com um programa e finalmente, pelo projecto político em que acreditamos, conquanto neste ponto com uma grande flexibilidade mental, não deixando que a partidarite e o sectarismo cegue, sendo que só assim seremos nós verdadeiramente, sem estar prisioneiros de maiorias artificiais “validadas” em votos úteis que não permitem mudanças.
b) Em segundo lugar porque uma convergência envolve discussão de programas, debate de ideias, mobilizações de cidadãos, movimentos, associações que pensam a cidade. E isso requer tempo, energias, negociações, consensos, escolhas de pessoas e atribuição de responsabilidades. E esse papel liderante caberia a António Costa no tempo certo. Não chega, não é honesto, convocar “unidades” em torno de nada, em forma de desespero, porque dá jeito agora, táctica e politicamente, porque ressoa a medo de perder as eleições ou porque prejudica as suas ambições políticas.
c) Em terceiro lugar, depois de ter chamado “partido parasita” ao Bloco de Esquerda, exigia-se um cuidado maior, um redobrar de esforços, para chamar esta força à convergência, sob pena de o Bloco perder um pouco a face perante os seus eleitores habituais.
d) Por último e muito embora tratando-se de eleições diferentes não adianta esconder que a governação de Sócrates atrapalharia sempre. Nada contudo que um bom programa, um bom acordo, uma intenção séria de chegar a uma plataforma unida da esquerda, não ultrapassasse essa dificuldade. Assim é que não!

Como nota final, quero reafirmar que me agrada ver Sá Fernandes na lista de António Costa. E que face aos problemas com o Bloco (e insisto em continuar a ver erros dos dois lados) não vislumbrava outra saída a Sá Fernandes. Torço para que realize um bom trabalho. Porque é uma pessoa competente, séria e porque tem um projecto capaz para a cidade, um projecto que é o sonho de um outro grande lisboeta, o arquitecto Gonçalo Teles.

Face ao que disse e nas actuais circunstâncias se votasse em Lisboa o meu voto seria em Luís Fazenda e no Bloco. Mas poderia ser, perfeitamente e sem preconceitos, na lista de António Costa, se as coisas tivessem sido feitas de outra forma. A forma de que falei atrás.

domingo, 31 de maio de 2009

Querer votar Bloco nas Europeias e não poder ...com muita pena e frustação

No dia 7 de Junho não vou estar em Portugal e não vou por isso votar nas Europeias.

De Marcha despenalização aborto - Viana do Castelo

Com muita pena. Ao contrário de muitas pessoas penso que votar é muito importante para marcar uma posição de protesto. Se protestamos nas ruas e nas empresas, protestemos também no momento de voto. Protestar é muito importante. É um sinal de não resignação. De não conformismo. De luta.

Este é pois o meu primeiro apelo: Ir ao voto contra quem, na Europa e em Portugal, representam as políticas que nos atiraram para a crise. Em Portugal significa não votar no PS, no PSD ou no CDS. Quem nos meteu na crise não nos vai tirar dela. Quando muito levar-nos-à para outras.

O segundo apelo é mais de ordem das convicções políticas. O Bloco de Esquerda é o mais interessante projecto político dos últimos anos no campo das esquerdas. Um projecto de unificação das esquerdas plurais anti-capitalistas que não se esgota nele próprio. O Bloco não é um fim. Não é o partido das esquerdas. Mas é o mais sólido projecto para tornar a esquerda grande. Grande e de alternativa aos poderes dos grupos de interesses na órbita do Bloco Central. O Bloco tem projecto, tem políticas, tem dirigentes à altura para, com humildade, modéstia, respeito pelas diferenças (e sabemos que não tem sido sempre assim), ser a alavanca de um projecto de reunificação das esquerdas, para dar a volta a isto. Assim o continuem a querer (e continuam a existir muitos equívocos), em harmonia com o seu projecto fundador. Assim também, as outras esquerdas, organizadas em partidos, movimentos ou como independentes, se deixem de obstinadas desconfianças, de estarem prisioneiros de ortodoxias ideológicas, de sectarismos ou permanentes espíritos de contra-poder.

O terceiro desejo era de que gostaria de ver o Bloco de Esquerda eleger pelo menos dois deputados, se possível três elegendo também Rui Tavares. Mais do que qualquer outra é a visão sobre a questão europeia que mais me afasta dos outros partidos da esquerda concorrentes. Miguel Portas merece-me toda a consideração pessoal e respeito político. O seu trabalho anterior é merecedor de todos os encómios. Se não conhecesse o seu trabalho e conheço, o seu compromisso eleitoral (e a qualidade do trabalho não se mede pelo número de perguntas, relatórios, propostas apresentadas -o importante é seu efeito prático), bastaria-me ver o reconhecimento do Dr. Fernando Nobre, presidente da AMI -Assistência Médica Internacional (cujo trabalho em todo o mundo contra a fome e as injustiças dispensaria apresentação), para validar e creditar todo o seu trabalho no parlamento europeu.

Com muita pena mesmo não vou estar em Portugal, como disse. Quase imperdoável se pensar que vou estar de férias. Mas a verdade é que estas já não podiam ser adiadas. Outros valores se levantaram. Volto no dia 8 de Junho da Tunísia. Até lá!

domingo, 24 de maio de 2009

Parabéns ao PCP

 
(imagem dorl.pcp)

O PCP saiu à rua numa demonstração de impressionante capacidade de mobilização e de crença dos militantes e simpatizantes nos seus ideais políticos. Eu que tenho com o PCP, de sempre, uma relação de "amor-ódio" não posso, neste momento, deixar de dar os meus parabéns por esta iniciativa, significativa de que o PCP está bem vivo. Sem nenhuma dúvida o PCP é absolutamente necessário em qualquer processo de convergências das esquerdas. Tem é que deixar de pensar que são a esquerda e o resto é paisagem. Sem sectarismo, sem tentações de liderança e vanguardismos, a esquerda pode ser grande. Independentemente do meu voto já estar definido há muito no Bloco de Esquerda, desejo sinceramente um reforço eleitoral do PCP em número de deputados, como de resto ao Bloco, para acabar com as maiorias absolutas. Desde já com a do PS.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

E Alegre se fez triste.

Alegre decidiu não entrar nas listas para deputados do PS.

Fica por saber se, para ter mãos-livre para criticar, sem constrangimentos, as políticas mais à direita de Sócrates, ou se, para garantir o apoio do PS à sua candidatura nas próximas eleições presidenciais, oferecer como contrapartida, uma gestão criteriosa dos silêncios e das palavras, para não fazer mossa suficiente ao PS, e por outro, transmitir uma ideia de independência, visando captar apoios noutros sectores de esquerda, particularmente independentes e do Bloco de Esquerda.

Seja qual for a razão, Manuel Alegre nunca será (nunca seria) o meu Presidente.

Se Manuel Alegre fosse uma pessoa consequente, deveria ter deixado o PS e fundado outro e liderado um processo de convergências à esquerda, sendo que o passo imediato seria uma coligação eleitoral com, pelo menos, o Bloco de Esquerda. Um processo que pela sua dinâmica poderia alargar de forma significativa o campo da esquerda e das alternativas de poder.

Manuel Alegre, com esta decisão não deixou de ser fiel a si próprio. Uma pessoa insegura, indecisa, sem capacidade de liderança, sem estratégia, movido principalmente, pela sua vaidade pessoal e por alguns problemas de consciência de uma esquerda burguesa.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Ser livre é poder optar sem medos.

Ser livre é poder optar sem medo das consequências. Aplicar consequências a um exercício de liberdade é prepotência. O Partido Comunista Português na sua peculiar concepção de direitos e liberdades, mandou instaurar um processo de inquérito a três militantes, dirigentes sindicais do Sitava, por terem apoiado uma lista diferente da patrocinada pelo partido. Recai assim, sobre os militantes o “crime” de serem pessoas livres. Não é a primeira nem será a última vez. Estranha concepção de democracia.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Condenada ao fracasso

O apelo a uma convergência das forças de esquerda para concorrerem unidas ao município de Lisboa é uma ideia eventualmente bem-intencionada mas condenada ao fracasso, mesmo que, realizando-se as eleições em Outubro, houvesse ainda tempo para desenhar um programa político minimamente consistente e capaz de juntar consensos, em volta das linhas fundamentais dos projectos de cada uma e de todas as forças de esquerda envolvidas.

Uma unidade prática destas forças, sem predomínio de nenhuma delas (embora naturalmente encabeçada por António Costa), apostadas apenas na causa pública, na transparência e rigor das decisões com uma componente forte de participação popular, com um programa de reabilitação e requalificação da cidade, nas áreas do urbanismo, da habitação, dos transportes, do ambiente, da limpeza urbana, num modelo de mobilidade das pessoas e viaturas ajustado, no aproveitamento dos recursos técnicos e humanos municipais, numa reorganização dos serviços, reestruturação das empresas municipais, no saneamento financeiro, seria um passo importante para recuperar Lisboa e marcar, pelo exemplo, uma política de urbanismo em todo o país..

Contudo, este apelo está condenado à partida por várias razões, das quais a primeira responsabilidade é a de António Costa. Cito sete exemplos: a) a de não tomar a iniciativa, como representante do maior partido, de conversar com as outras forças b) a de, face à impossibilidade legal de coligações com movimentos, como o de Helena Roseta, não ter apresentado uma alternativa aceitável que integrasse aquele movimento na convergência c) a de não abdicar dar uma mãozinha ao Governo e ao partido, a pensar noutras eleições, tirando partido do momento d) a de não propor apresentarem-se como uma lista de cidadãos, sem símbolos partidários, apoiada pelos partidos, mas sem a participação dos principais responsáveis, para evitar confusões e oportunismos e)o de ter desferido no congresso do PS um violento ataque ao Bloco acusando-o de parasita.

Se a isto juntarmos um PCP que recusa acordos com o PS de Sócrates (mesmo municipais), como já o tinha feito nas eleições de 2005, misturando eleições de tipo diferente (quando não teve pejo em fazer acordos, agora e no passado, com o PSD) e com um Bloco de Esquerda, extemporaneamente a decidir em Convenção Nacional, não fazer coligações nas autarquias com o PS (e a direita naturalmente), está tudo dito: Não vai haver convergências de esquerda em Lisboa!

E pese as boas intenções de algumas pessoas que fazem este apelo de forma genuína, ele só serve, neste momento, o PS, Sócrates e António Costa que aproveitarão, demagogicamente este falhanço, para responsabilizar os partidos de esquerda, com a cassete do costume: são forças extremistas, de contra-poder, apenas sabem criticar, recusam assumir responsabilidades executivas.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Tomar partido!



Não há sítio neste Portugal dos pequeninos onde o desporto favorito não seja dizer mal. Ao dizer mal dos outros estão a querer dizer bem deles. Os "outros" é que são responsáveis, eles estão de fora. Quem os ouve ou lê, se os levássemos a sério, seriam os melhores. Os melhores políticos, os melhores atletas, os melhores treinadores, as melhores pessoas.

Só que eles nunca estão lá, estão de fora. De fora onde é fácil criticar e dizer mal. Aborrece-me esta classe de pessoas que não participa, não se envolve, não tem opinião, não dá opinião, não toma partido, que se abstêm, que está a ver passar. Mas que diz mal.

Hoje quase toda a gente diz mal de tudo e de todos. Em particular os políticos não escapam aos mais baixos impropérios e mentirosos, ladrões, incompetentes ou corruptos, são palavras que estão nas bocas de quase todos. É cómodo e alivia as consciências. Não há como ter bodes expiatórios para lançar as culpas sobre tudo o que corre mal. As culpas são sempre dos outros. De quem está nos partidos, nos sindicatos, nas associações. De quem faz alguma coisa. De quem está à frente. Como podem ter culpa estas pessoas, se estão de fora?

O problema é que muitos dos alvos dessas críticas se põem a jeito, nomeadamente alguns políticos que contribuem para esta má reputação e descrédito. Porque são efectivamente, ladrões, incompetentes, corruptos. Mas as pessoas têm de saber distinguir o trigo do joio. Não podem ser metidos todos no mesmo saco. Não são todos iguais. É fácil e cómodo estar de fora, repito, a dizer mal de tudo e de todos. Mais difícil é fazer escolhas, tomar partido, confrontar posições, olhos nos olhos.

E porém, só com a participação e uma cultura de exigência cívica é possível mudar as coisas. Não participar no debate e nas decisões que nos dizem respeito, ficando sempre de fora é confortável mas é um refúgio oportunista. As coisas não mudam se nos ficarmos pelas palavras. Se não formos capazes de escolher os alvos certos, distinguir entre, “inimigos”, adversários, parceiros.

Sem partidos e sem políticos não há democracia. Sem participação, temos uma democracia fraca. Sem exigência temos uma democracia doente. Sem participação e exigência, e atacando tudo e todos, temos uma democracia em agonia.

Na verdade os políticos ou os decisores políticos que tanto acusamos são eleitos pela maioria de nós. Não tomaram conta do poder à força. Uma grande maioria dos eleitores parece preferir essa gente. Prefere quem não dá garantias de honestidade. Falta-nos uma cultura de exigência, de rigor, de coragem.

Por mim, faço escolhas agora, tomo partido agora, valorizo quem está no combate político agora, dou o meu apoio político agora. E como se avizinham combates políticos importantes, quero deixar claro, a quem me lê, que vou apoiar o Bloco de Esquerda nas próximas eleições europeias e legislativas, tal como o fiz no passado, enquanto militante. E que a campanha começou hoje aqui!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Bloco de Esquerda. Um projecto a ser acarinhado.

O Bloco comemora hoje dez anos. E dez anos passados, o Bloco de Esquerda incorpora as mais amplas expectativas, no projecto de reunificação das esquerdas plurais e da constituição de uma alternativa socialista, a uma doutrina económica e social apresentada como indiscutível, mas que aqui como noutras partes do mundo, apenas tem trazido mais desemprego, pobreza, menos direitos sociais a uns e ao contrário, enriquecimentos ilícitos a outros, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais.

O Bloco de Esquerda, com alguns erros de percurso, com algumas indecisões e incongruências ainda, tem feito um percurso sério, uma oposição capaz e consequente, uma denúncia enérgica das manigâncias políticas, dos negócios ruinosos, dos tráficos de influências, dos malabarismos de uma classe política e uma elite empresarial, incompetente, desavergonhada, canalha que, absorvidos nas suas carreiras políticas ou nos seus ganhos egoístas e avaros, ao menor sintoma de adversidades, que não são mais do que umas pausas nos lucros e vantagens adquiridas ao longo dos anos, atiram para as costas dos trabalhadores, das populações mais indefesas, das famílias mais pobres, as suas pequenas dificuldades, mesmo que isso signifique o arruinar das famílias, o aumentar da pobreza, trazer a miséria e a fome a muitas casas, o acabar de grandes conquistas e direitos sociais que foram e são grandes avanços civilizacionais.

Não estando todos os que se reivindicam de esquerda, sempre de acordo com as posições políticas do Bloco; de acordo com algumas propostas ou prioridades, encontrando-se ainda, aqui e ali, alguns tiques de sobranceria intelectual e moral, creio ser inegável que o Bloco se apresenta como a força política, melhor preparada, mais sólida, mais abrangente à esquerda, para se posicionar, como a verdadeira força política de esquerda e da oposição, para arquitectar um projecto de unidade e de alternativa ao sistema político vigente, num quadro de democracia representativa e democracia participativa, um regime socialista, assente num modelo de democracia semi-directa.

Embora razões particulares e políticas me tenham afastado da militância política no Bloco (a que pertenci quase desde o inicio), que seriam superáveis no debate político, mas que sendo repetições de outros no passado, se sobrepõem o cansaço psicológico e uma pouca paciência para aspectos políticos, para mim, completamente desajustados, no tempo e pelo tempo, considero o Bloco de Esquerda, uma esperança que não pode ser desaproveitada ou enjeitada, depois de mais de trinta anos sem uma verdadeira alternativa de esquerda, se quisermos construir um projecto de unidade, de convergências e de alternativa política de poder.

Os ataques do PS neste congresso, as afirmações de Pedro Passos Coelho que habituais eleitores do PSD irão votar no Bloco, os desesperos de Sócrates quando Louçã intervém, as investidas agressivas de algumas pessoas influentes na imprensa, indiciam que o Bloco está a incomodar muita gente e a ganhar apoios populares. Há que dar força a este projecto pois, sendo que os militantes bloquistas não devem pensar o Bloco como um fim, mas como um instrumento do combate político pluralista das esquerdas anti-capitalistas; um projecto a ser construído paulatinamente para uma alternativa consistente e duradoira.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A VI Convenção do Bloco

A VI Convenção do Bloco de Esquerda decorre neste fim-de-semana. Pela primeira vez, creio, não estarei presente na reunião magna dos aderentes do Bloco. Com alguma tristeza, confesso. Mas a vida tem destas coisas. Muito embora continue a apoiar o projecto do Bloco e me reveja na maioria das suas posições e propostas políticas, não obstante, encontrei algumas pequenas divergências que, sendo normais e naturais num projecto em construção, embicaram com a minha personalidade e me levaram de forma decisiva, ao fim deste tempo todo, a abandonar a militância partidária, militância aliás que tinha prometido não mais ter, quando a meio dos anos 80, deixei a UDP.
O Bloco tem agora dez anos. A sua criação, no tempo, agrupando algumas das forças políticas de esquerda e alguns independentes, tão diferentes e tão distantes politicamente e com um passado assinalado por grandes divisões, sectarismos, espírito clubista e muito prisioneiros de conceitos e doutrinas políticas, interpretadas de forma dogmática e vanguardista, de tão improvável, afigurava-se a todos os comentadores políticos, um processo condenado à partida.

Contudo, quem acompanhou o projecto fundador sabia que este era o projecto mais consistente, mais abrangente, o mais sério, mais ousado e interessante, alguma vez abraçado por qualquer força política da esquerda:
Um projecto de recomposição de todo o espaço de esquerda anti-capitalista, num processo paciente de desconstrução barra construção ideológica, sem amarras, sem preconceitos ideológicos, sem tabus, mas simultaneamente virado para fora, para os problemas concretos das pessoas, para no confronto das ideias, conquistar a maioria social e fazer vingar propostas políticas inovadoras e fracturantes, em contraste com as velhas receitas da esquerda, como a transparência, a exigência cívica, o direito das minorias, o combate às desigualdades e discriminações.
Neste dez anos mudou muita coisa. O Bloco cresceu imenso. As pessoas reconheceram no Bloco uma força de combate, intransigente com as artimanhas, as falsidades, as manobras golpistas e simultaneamente, um partido com ideias e propostas atraentes, adequadas, consequentes. Com o aumento do número de deputados, com mais meios financeiros, um corpo maior de assessores e especialistas, a prestação do Bloco, especialmente no parlamento, ganhou qualidade, dimensão e acuidade, nas propostas políticas e na oposição ao Governo Sócrates, constituindo-se como a oposição mais eficaz, mais competente e a que verdadeiramente enerva o Governo e Sócrates.

Os novos tempos exigem agora novas e adequadas intervenções. O Bloco está numa espécie de encruzilhada. O crescimento e as expectativas são altos. Saber como responder aos novos apelos é o desafio. O de ser mais que uma boa oposição. O de ser mais que contra-poder. O eleitorado parece querer dar-lhe um papel chave no futuro próximo da governação, retirando a maioria ao PS e aumentando a sua representação parlamentar. O Bloco nestas circunstâncias tem de ser muito claro: ou viabiliza uma solução PS/BE no Governo ou no Parlamento ou se afirma novamente como uma oposição consequente e responsável. A palavra parece estar dada: é a segunda alternativa. Pela simples razão de que não é possível estar com Sócrates e com tudo o que ele representa, em termos políticos e pessoais, mas sobretudo de alternativa do modelo de sociedade ao nível económico e social.

Cabe ao Bloco continuar a trilhar o projecto fundador, agora com mais vigor e exigência consigo próprios: avançar com o projecto de recomposição orgânica das esquerdas anti-capitalistas, acelerar os processos de convergências concretas à esquerda (sem exclusões e com todos os interessados), continuar o combate político ideológico contra a supostas inevitabilidade das políticas neoliberais, aprofundar o debate político e ideológico à esquerda, sem complexos e sem tabus.

O tempo não está para divisionismos e para discussões estéreis. O tempo é de reunir forças: para afirmar uma alternativa de esquerda seria e credível e para disputar o poder. Não temos de estar condenados ao centrão político e de interesses.
 

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