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terça-feira, 2 de março de 2010

O ex-director dos Impostos Paulo Macedo apresentou queixa à Judiciária contra o blogue O Jumento por publicar informação confidencial // A Interpol investigou o caso, mas o autor só agora foi encontrado: um quadro superior do Ministério das Finanças

imagem retirada ao Jumento
O titulo deste post é o sub-título a toda a largura da primeira página do jornal i de hoje. Segundo a notícia do i o blog Jumento estaria a ser investigado pela Interpol para descobrir a identidade do seu autor que escrevia a coberto do anonimato. Lendo o sub-titulo poderia depreender-se que a Interpol teria descoberto a identidade do autor. Mas é uma ideia falsa! Quem descobre a identidade do autor é o jornalista que a divulga no jornal.

É nojenta esta forma de jornalismo. Um jornalismo bufo e pidesco. Pessoalmente, não gosto de quem faz denúncias mesmo se justificáveis ... e em certas situações até se justificam, mas nem parece ser o caso (ver esclarecimento do Jumento).

O que o jornalista (e blogger, Paulo Pinto Mascarenhas -do 31 da armada) soube, soube-o, tudo leva a crer, por intermédio de um outro blogger (que pese ser um fervoroso defensor de Sócrates e do PS, me parecia ser uma pessoa séria - não coloco um link para os seus post pois o seu nome desapareceu da lista de autores do Simplex !?), agora colunista do jornal i, e na altura companheiro do Jumento no blog Simplex (um blog de apoio ao PS nas últimas legislativas), mas agora dissidente, em consequência dos contactos pessoais e da troca de comunicações que se deram na altura do Simplex.

Outra nojice! Infelizmente há sempre alguém disposto a prestar-se a papéis destes. Isto não é jornalismo de investigação! É bufaria, vingança, ajustes de contas. Ou parece ser. O que não é ... é próprio de pessoas de bom carácter. A denúncia à polícia por parte de um jornal (e de um jornalista e blogger) é inconcebível, especialmente se, a haver crime, ele não afecta nenhum alicerce fundamental da democracia ou da justiça. Este não pode ser um país de bufos e de medos.

Por fim e mesmo respeitando quem opta pelo recurso ao anonimato, dizer-vos que não aprecio que se escondam atrás de um pseudónimo, muito embora e infelizmente, a sucessão de processos e as chatices que muitos sofreram por colocar a sua assinatura e a identidade no que publicam, a isso devesse aconselhar, se calhar, digo eu. Eu que, por causa de ter a descoberto a minha identidade, também já fui alvo de um processo em Tribunal, felizmente já resolvido e sem nenhuma consequência, para mim. Mas disso darei conta brevemente.

A minha solidariedade ao Jumento, independentemente das minhas divergências políticas e sobretudo pelo seu "socratismo" militante e sectário.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

A manifestação "pelas liberdades": uma iniciativa que serve a estratégia de vitimização de Sócrates

A minha opinião sobre Sócrates é conhecida: acho-o um presunçoso, um mau carácter, alguém que lida mal com a verdade, com a critica, com os compromissos. Um deslumbrado pelo poder, arrogante e autoritário, mesmo "ameaçador" para quem dele discorda.

Sócrates, tem visto o seu nome envolvido em inúmeros casos, todos eles degradantes do sistema político democrático, da classe política e da própria imagem do país, enquanto Primeiro-ministro. O direito à presunção de inocência é sagrado. Mas as suspeitas existem e Sócrates não as sabe lidar com elevação. Pelo contrário, dispara em todas as direcções. Contudo, argumente como argumentar, as suspeitas em alguns casos são muito fortes, nalguns casos, confrontam-o mesmo com crimes graves contra o Estado de Direito que nenhuma ilegalidade formal pode esconder e com as suas mentiras.

Uma coisa são as formalidades, os cirúrgicos segredos de justiça desvendados, as escutas ilegais ... ou não, os ouvidos afinadas em conversas particulares, o jornalismo de buraco de fechadura. Inaceitáveis, talvez. Impróprios, provavelmente. "Ao homem", certamente.

Mas, nada, mesmo nada, pode inabilitar o que foi ouvido, o que foi visto, o que foi escutado: do que importa, obviamente ... expurgando as referências pessoais que não interessem. O caso TVI é grave! A revelação pública do despacho do Juiz de Aveiro, trazido à luz pelo Sol e Correio da Manhã são demasiados graves para serem ignorados. Os indícios de uma conspiração planeada, envolvendo pessoas estrategicamente colocadas em pontos-chave, visando "apagar" um órgão de comunicação "hostil", afastar jornalistas e programas, devem ser investigados até ao fim! Estão em causa, princípios de um Estado democrático: a liberdade de imprensa e a liberdade de opinião! E estão em causa abusos de autoridade, de poder, de influências que põem em causa os alicerces de um Estado de Direito, como refere o Juiz de Aveiro e que não foram tidos em conta pelo Procurador e pelo Juiz do Supremo o que faz temer, igualmente, pela independência e o equilíbrio dos poderes.

Rigor, verdade, responsabilidade, ética, integridade, transparência, são princípios de um Estado democrático e dos agentes políticos que andam pelas ruas da amargura e que já ninguém parece acreditar, lamentável e perigosamente.

Por fim e porque está anunciada uma manifestação "pelas liberdade" e a correr uma petição no mesmo sentido, uma opinião em duas ou três linhas. Não concordo com a manifestação! Porque na sua génese, não está a defesa das liberdade em concreto - liberdades que alguns dos promotores, pessoas de direita e apoiantes de políticas restritivas nas mesmas posições e nas mesmas circunstâncias, fariam de igual modo, estou convicto -, porque, embora graves, não me parecem estar em causa as liberdades, mas apenas tentações de uma pessoa e acólitos, sem possibilidade de vingar, porque ainda acabam por favorecer Sócrates na sua estratégia de vitimização. Penso que neste momento é importante o relato nos média, a intervenção acutilante na blogosfera e também a criação da comissão de inquérito na Assembleia da República.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mário Crespo: ser ou não ser ou a liberdade de opinião.


Mário Crespo diz o que disse e não sei se fala verdade.
Parece-me contudo um pouco surrealista que o Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão, encontrando-se num almoço de um Hotel de Lisboa, conversem, incautos, num tom audível nas mesas ao redor, sobre a figura de Mário Crespo em termos ofensivos e exprimindo uma incomodidade com a sua relevância mediática, como jornalista e como opinante, ao ponto de o considerarem "um problema" a precisar de uma "solução". De facto não parece ser normal que se conspire contra um jornalista num espaço público, à luz do dia, numa mesa de um restaurante, perto dos ouvidos de outros.

Mas, mesmo não parecendo verosímil lá que podia ser, podia ser. Os exemplos, de tentar silenciar vozes incómodas ao Governo e a Sócrates, são mais que muitos. O Jornal de Sexta-Feira da TVI, o "afastamento de José Eduardo Moniz, a saída de José Manuel Fernandes do Público, o controlo "editorial" sobre a maioria dos jornais, o problema Marcelo Rebelo de Sousa, a tentativa de asfixia financeira com a retirada de publicidade do Estado nos meios de comunicação "hostis", etc. E que Mário Crespo estava (está) a ser incómodo estava. Vê-se e sente-se.

Dito isto, dizer que também não tenho em boa conta Mário Crespo, como profissional e pessoal e politicamente. Uma questão de gosto e palpites. Baseados na suas opiniões, nas entrevistas que deu e que faz, na forma como conduz os seus programas, servil e bajuladora com uns e fingida e emproada com outros. E finalmente nas suas posições políticas "variáveis", consoante os ventos e os tempos, enfim, oportunistas.

Mas, obviamente o JN deveria ter publicado a sua crónica. Aquele espaço era a coluna de opinião de Mário Crespo. Alegar que era uma notícia que carecia de ouvir a outra parte não cola. Mário Crespo fala em várias fontes. O Jornal sempre poderia (pode, poderá) em qualquer momento ouvir a outra parte.
 

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